# Radar das Eleições: ajuste fiscal e equipe movem mercado

> O Radar das Eleições, da Empiricus, aponta que o mercado financeiro brasileiro tende a reagir principalmente ao grau de ajuste fiscal e à composição da equipe econômica do próximo presidente. O economista Matheus Spiess avalia que esses dois fatores funcionam como os principais canais de transmissão da transição eleitoral para os preços de ativos.

*Viva Capital · Economia · 15 de setembro de 2026 · Larissa Monteiro*

Economista Matheus Spiess, da Empiricus, avalia no Radar das Eleições que o mercado vai acompanhar o nível de ajuste fiscal e a equipe econômica do próximo presidente como principais canais de transição eleitoral.

O mercado financeiro deve ficar cada vez mais sensibilizado com a eleição nas próximas semanas. A avaliação é do economista e analista da Empiricus Matheus Spiess, feita na edição desta semana do Radar das Eleições, do Money Times, com os editores Paula Comassetto e Gustavo Porto.

Segundo Spiess, o investidor vai tentar identificar qual será o nível de ajuste fiscal adotado pelo futuro presidente da República e quais nomes formarão a equipe econômica do eleito. "Para as próximas semanas, o nível de pesquisas, quem vai ganhar e, depois, como é que vai ser estruturada a equipe, como é que vai ser feito um ajuste fiscal, como é que vai ser fechar essa conta. Então, para o mercado, esse vai ser o principal canal de transição do ponto de vista de eleição", disse.

## Trade eleitoral e o pêndulo político

Uma inflexão do pêndulo político, com a consolidação e possível eleição de Flávio Bolsonaro (PL), pode gerar, na avaliação do economista, "um rally eleitoral bem profundo" nos ativos brasileiros. "A gente observou uma volta, pelo menos nas mesas de debate do mercado, daquilo que se convencionou chamar de trade eleitoral. As pessoas colocando no preço uma maior chance de ajuste fiscal, um ajuste fiscal minimamente mais convicto", afirmou.

No cenário oposto, um ajuste com "contornos de puxadinho", mais provável com a manutenção do atual governo, traria reação contrária do mercado financeiro. "Isso se traduz em movimentos tanto positivos como negativos para as ações e câmbio", avaliou Spiess.

## Pesquisas, estados-chave e segundo turno

Com o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revertido nas últimas semanas, a chance de um ajuste fiscal mais duro aumentou, o que se refletiu nos ativos, principalmente na B3. Para Spiess, porém, faltam 19 dias para o primeiro turno e 40 dias para um eventual segundo turno. "Muita coisa vai ser colocada ainda nos cenários dos investidores e altas e baixas vão fazer parte do processo, sem dúvida", disse.

O economista também destaca a importância de acompanhar o desempenho dos candidatos nas pesquisas e a intenção de votos em estados e regiões-chave que podem decidir pleitos regionais já no primeiro turno. "Tem muito estado, muito ente federativo que vai decidir a eleição já no primeiro turno. E isso pode mudar o número de abstenção no segundo turno", afirmou. "Isso pode ser bom para o Lula, como pode ser bom para o Flávio, e pode ser ruim para os dois também", completou.

Para além do ajuste fiscal, que é emergencial e de curto prazo, Spiess aponta que problemas institucionais precisam ser tratados no País, como a reforma estrutural para ampliar a produtividade. São reformas com resultado em décadas, mas que devem ficar em segundo plano diante do ajuste fiscal.

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