# IA no Brasil: só 4,7% dos líderes do setor são mulheres

> A inteligência artificial no Brasil tem apenas 4,7% das posições executivas ocupadas por mulheres, segundo levantamento do LinkedIn em 27 países. O índice brasileiro fica abaixo da média global de 13,3%, e o principal gargalo está na promoção de mulheres para cargos de gerência e diretoria no setor de IA.

*Viva Capital · Economia · 10 de setembro de 2026 · Henrique Salomão*

Levantamento do LinkedIn em 27 países aponta que só 4,7% das posições executivas de inteligência artificial no Brasil são ocupadas por mulheres, menos da metade da média global de 13,3%. O gargalo está na promoção para gerência e diretoria.

Apenas 4,7% das posições executivas de inteligência artificial no Brasil estão sob gestão feminina. O dado, de um mapeamento do LinkedIn conduzido em 27 países, revela um estrangulamento de liderança no setor tecnológico nacional frente à média internacional, de 13,3%.

O país opera com menos da metade da representatividade global na cúpula decisória que desenha os produtos e investimentos da nova economia digital. Os números centrais do levantamento:

- Média global em cargos executivos de IA (27 países): 13,3% de presença feminina
- Cargos executivos de IA no mercado brasileiro: 4,7% de presença feminina
- Cargos operacionais de IA (abaixo da cúpula) no Brasil: 22,1% de presença feminina

## Onde o funil trava

O afunilamento de talentos ocorre no momento de promoção e retenção. A base operacional contabiliza 22,1% de participação feminina nos postos de IA abaixo do nível decisório, mas esse contingente não se converte em ascensão para gerência e diretoria.

Barreiras internas e desigualdades de acesso reduzem a passagem de profissionais qualificadas para o topo. O viés nas promoções internas pesa nesse processo: barreiras invisíveis, conhecidas como glass ceiling ou teto de vidro, dificultam o avanço de mulheres com qualificação técnica para cargos de gestão e direção.

A concentração do poder de decisão é outro fator. Investimentos em novos algoritmos, estratégias de negócios e direcionamento de projetos de IA continuam majoritariamente sob liderança masculina, o que limita a participação feminina nas definições mais estratégicas do setor.

Fora das empresas, a desigualdade se mantém no acesso ao mercado de inovação. Redes de influência e o mercado de capital de risco ainda oferecem menos espaço para mulheres em posições de liderança, restringindo sua participação tanto na criação quanto na expansão de negócios ligados à inteligência artificial.

## Risco tecnológico e consumo

A desconexão estratégica ganha contornos de risco financeiro quando confrontada com o perfil do consumo nacional. As mulheres já lideram 60,1% das transações de e-commerce (compras e vendas), superando os homens (53,2%) e dominando quase a totalidade das categorias de varejo digital.

Segundo o Relatório de Identidade e Fraude 2025, da Serasa Experian, 82% da população brasileira realiza compras online mensalmente. A criação de modelos preditivos, algoritmos de recomendação e redes de segurança por equipes sem diversidade na liderança eleva o perigo direto de viés tecnológico em sistemas que movimentam a maior fatia do comércio eletrônico do país.

A urgência de reversão do quadro levou o estudo W-Tech 2025, elaborado pelo Observatório Softex no final do último ano, a propor medidas estruturais imediatas: implantação de métricas transparentes para promoções executivas, programas corporativos de aceleração de carreira e revisão rigorosa dos critérios de contratação de líderes.

"A diversidade é a força que impulsiona o futuro do nosso setor. Não basta falar em inovação sem falar em inclusão. Precisamos de políticas permanentes, métricas claras e comprometimento real de todos os atores (governo, empresas e academia) para garantir que as mulheres estejam no centro da transformação digital brasileira", afirma Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.

Do ponto de vista de quem planeja o horizonte de vida da família, o dado importa por um motivo prático: decisões sobre algoritmos, crédito e investimento em tecnologia afetam o bolso de todos. Planejar cedo é o juro mais barato que existe, e isso vale também para acompanhar quem desenha as regras do jogo digital. mulheres na liderança de tecnologia

---

Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/quem-toma-decisoes-sobre-ia-brasil-sao-homens-so-47-lideres-setor-sao-mulheres-a/
