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Nova China do agro: FAO aponta 2 caminhos pós-Pequim

ResumoFAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) aponta dois caminhos pós-Pequim para o agro brasileiro: expansão em mercados emergentes e desenvolvimento da bioeconomia. A entidade descarta a existência de uma "nova China" como motor único de demanda. O relatório sugere diversificação de destinos e agregação de valor como estratégias para substituir o peso do mercado chinês.

A China busca autossuficiência alimentar e o agro brasileiro se pergunta: quem será o próximo motor de demanda? Para a FAO, não há uma 'nova China', mas dois caminhos: mercados emergentes e bioeconomia.

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Quem será a 'nova China' do agro brasileiro? Para a FAO, há dois caminhos

A busca da China por maior autossuficiência alimentar levanta uma questão cada vez mais presente entre produtores e investidores: quem será o próximo grande motor de demanda para o agronegócio brasileiro? A resposta, segundo a FAO, não é um único país, mas uma combinação de dois movimentos: a expansão do consumo em mercados emergentes e o avanço da bioeconomia global.

A resposta curta: não há uma 'nova China' única

Para David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), não existe uma 'nova China' capaz de substituir, sozinha, o papel desempenhado pelo país asiático nas últimas décadas. A resposta, segundo ele, passa por dois caminhos: a expansão do consumo em mercados emergentes, principalmente na África e no Oriente Médio, e o avanço da bioeconomia global.

As declarações foram feitas durante painel do Brazil Climate Solutions nesta terça-feira (4), promovido pelo Itaú BBA, em conversa mediada por Marcos Jank, coordenador do Insper Agro.

Por que a China não será mais a mesma para o agro

Jank lembrou que a expansão do agronegócio brasileiro desde a década de 1970 foi impulsionada pelo aumento da produtividade, pela ocupação do Cerrado e pelos sistemas integrados de produção. Mas ressaltou que esse crescimento depende da demanda internacional, e que, até agora, ela teve um nome: China.

Segundo ele, o gigante asiático foi responsável por impulsionar as exportações brasileiras de proteínas animal e vegetal, açúcar, cereais, café, algodão e diversas outras commodities.

No entanto, esse cenário começa a mudar diante do menor ritmo de crescimento econômico, da redução da população e, principalmente, pela estratégia chinesa de fortalecer sua segurança alimentar, reduzindo a dependência de importações, especialmente de soja, algo indicado no seu 15º Plano Quinquenal (2026-2030).

Oportunidades que já foram capturadas

Na avaliação de Laborde, o mercado chinês ainda oferece oportunidades, mas já atingiu um estágio muito mais maduro do que no passado. 'O potencial de crescimento ainda existe, mas grande parte dele já foi capturada', afirmou.

O economista acrescentou que o Brasil também se beneficiou das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China, conquistando participação adicional nas importações chinesas. Porém, esse movimento, segundo ele, dificilmente continuará na mesma intensidade.

Por que a Índia não é a substituta natural

Embora o Sul da Ásia deva ganhar importância nos próximos anos, Laborde descartou a possibilidade de a Índia assumir o papel exercido pela China.

Isso porque o país possui um setor agrícola robusto e tende a proteger seus produtores rurais. Hoje, mais de 500 milhões de indianos dependem da agricultura e das atividades no campo, fator que limita a abertura comercial.

Além disso, a Índia já é uma importante exportadora de produtos agrícolas, inclusive de carne bovina, apesar de a maior parte da população não consumir a proteína. Embora possa ampliar as importações de algumas oleaginosas, dificilmente o país alcançará a escala observada no mercado chinês.

Onde estará o próximo motor de demanda

Para Laborde, os maiores vetores de crescimento da demanda por alimentos devem surgir no Oriente Médio e, principalmente, na África. O desafio, porém, será a capacidade financeira desses países de ampliar as importações.

'A questão para a África é se haverá dinheiro suficiente para pagar por essas compras. Isso dependerá do crescimento econômico do próprio continente', explicou.

Ainda assim, o economista da FAO defendeu que o comércio internacional deve ser visto como uma relação de ganhos mútuos. 'Quando um país cresce, seus parceiros comerciais também crescem'.

O segundo caminho: a bioeconomia como transformadora

Além da expansão da demanda por alimentos, Laborde destacou a bioeconomia como um segundo fator que poderá transformar profundamente o agronegócio nas próximas décadas.

Segundo ele, caso o mundo avance de forma consistente na substituição dos combustíveis fósseis, haverá uma necessidade muito maior de biomassa para produzir energia, combustíveis, materiais industriais e diversos outros produtos.

Na avaliação do diretor da FAO, a produção global de biomassa precisaria ser multiplicada entre três e quatro vezes para permitir uma substituição ampla dos combustíveis fósseis.

Isso significaria uma demanda crescente por madeira, produtos agrícolas e outras fontes renováveis de biomassa, criando novos mercados para países produtores como o Brasil.

'Não produzimos biomassa o suficiente para ter um debate sério quanto a substituir os combustíveis fósseis em muitas economias. A próxima grande transformação global será como vamos usar a biomassa que vamos precisar. Mas precisamos produzir essa biomassa de maneira sustentável e não entrar em um ciclo que precisaríamos de mais combustíveis fósseis para produzir mais biomassa que substituiria os fósseis'.

Nesse processo, tecnologias como bioinsumos e outras inovações terão papel fundamental para tornar a produção mais eficiente e sustentável.

'Criar essa bioeconomia do futuro será um esforço global, que criará um mercado para produtos e produtores brasileiros. Vamos precisar de grandes ganhos de produtividades'.

O que isso significa para o seu negócio

Se você é produtor ou investidor, a mensagem é clara: diversificar mercados não é mais opcional. A China ainda compra, mas o apetite não é o mesmo. Quem já está de olho na África e no Oriente Médio, ou quem começa a estudar a bioeconomia, sai na frente.

Na prática, isso pode significar desde adaptar a produção para atender a novos padrões sanitários até investir em bioinsumos para reduzir custos e ganhar eficiência. O caminho não é único, e a FAO aponta que a próxima grande transformação global será o uso da biomassa.

Para o pequeno e médio produtor, a recomendação é começar pelo planejamento: mapeie seus custos, estude os mercados emergentes e avalie como a bioeconomia pode agregar valor à sua produção. como planejar o fluxo de caixa da safra bioinsumos na prática: o que considerar

Perguntas Frequentes

A China vai deixar de comprar do agro brasileiro?

Não de forma imediata. O mercado chinês ainda oferece oportunidades, mas já atingiu um estágio mais maduro, e o potencial de crescimento já foi em grande parte capturado, segundo a FAO.

Quem será o próximo grande comprador do agro brasileiro?

Para a FAO, não haverá um único substituto. Os maiores vetores devem ser a África e o Oriente Médio, mas isso depende da capacidade financeira desses países de ampliar as importações.

A Índia pode substituir a China na demanda por alimentos?

Laborde descarta essa possibilidade. A Índia tem setor agrícola robusto, protege seus produtores e mais de 500 milhões de indianos dependem da agricultura, o que limita a abertura comercial.

O que é a bioeconomia e como ela afeta o agro?

É o uso de biomassa para produzir energia, combustíveis e materiais industriais, substituindo os fósseis. A FAO estima que a produção global de biomassa precisaria ser multiplicada por 3 ou 4 para isso ocorrer em larga escala.

Como o produtor pode se preparar para esse novo cenário?

Diversificando mercados, estudando a demanda emergente e investindo em eficiência, como bioinsumos, para reduzir custos e aumentar a produtividade de forma sustentável.

“A China busca autossuficiência alimentar e o agro brasileiro se pergunta: quem será o próximo motor de demanda? Para a FAO, não há uma 'nova China', mas dois caminhos: mercados emergentes e bioeconomi…”
Adriana Buarque · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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