Queda do petróleo não alivia diesel e defasagem no Brasil abre semana em 58%, aponta Abicom
Mesmo com o petróleo Brent abaixo de US$ 90 o barril, a defasagem dos combustíveis no Brasil continua subindo. Segundo a Abicom, o diesel abriu a semana com 58% de defasagem e a gasolina com 45%. O descolamento entre o mercado internacional e os preços domésticos mostra que a queda da commodity não chega ao bolso do consumidor.
Por que a defasagem do diesel não cai com o petróleo?
A defasagem reflete a diferença entre o preço praticado no Brasil e o preço de paridade de importação (PPI). Mesmo com o recuo do Brent, as refinarias brasileiras mantiveram preços elevados. A Abicom aponta que o descolamento confirma que a política de preços doméstica não acompanha o desempenho da commodity no curto prazo.
Números da defasagem por refinaria
Nas refinarias da Petrobras, a defasagem do diesel chegou a 72% no porto de Suape, com o litro a R$ 5,44, uma diferença de R$ 2,27 em relação ao preço de venda da estatal. Na média, as refinarias da Petrobras registraram preços 69% abaixo do PPI. Na gasolina, a defasagem era de 54%.
Já na Acelen, controladora da Refinaria de Mataripe (BA), o diesel era negociado apenas 1% abaixo do preço internacional e a gasolina, 2% abaixo. A diferença reflete os reajustes realizados na semana passada pela empresa.
Últimos reajustes da Petrobras e subvenção do governo
O último reajuste da Petrobras para o diesel foi em 1º de junho: redução de R$ 0,35 por litro. O valor correspondia à subvenção do governo na época, já retirada. No lugar, entrou outra subvenção, de R$ 1,12 por litro.
Para a gasolina, o aumento foi de R$ 0,48 por litro em 29 de maio, amortizado pela subvenção de R$ 0,44. O resultado foi alta de apenas R$ 0,04 por litro para as distribuidoras.
O que isso significa para o consumidor?
A defasagem elevada indica que, mesmo com o petróleo em queda, o preço na bomba pode demorar a cair. A diferença entre o que a refinaria cobra e o preço internacional é grande, especialmente no diesel. Para o motorista, a expectativa é de manutenção dos preços altos no curto prazo.
A política de subvenções do governo tenta amortecer os impactos, mas as trocas de mecanismos criam incerteza sobre a trajetória futura dos combustíveis.
Perguntas Frequentes
O que é defasagem de combustíveis?
É a diferença entre o preço praticado no mercado doméstico e o preço de paridade de importação (PPI), que considera o valor internacional do petróleo e custos de logística.
Por que a queda do petróleo não reduz a defasagem?
Porque as refinarias brasileiras, especialmente a Petrobras, não ajustam os preços automaticamente. A defasagem reflete o descolamento entre a política de preços doméstica e o mercado internacional.
Qual a defasagem da gasolina hoje?
Segundo a Abicom, a gasolina abriu a semana com 45% de defasagem na média do país.
A Acelen também tem defasagem?
Sim, mas muito menor. Na Refinaria de Mataripe, o diesel está 1% abaixo do preço internacional e a gasolina, 2% abaixo.
O governo vai intervir nos preços?
A fonte não indica novas intervenções. A subvenção atual para o diesel é de R$ 1,12 por litro, mas não há garantia de manutenção ou aumento.
