# Procuradoria pede bloqueio de fundos da teia do Master por rombo de R$ 640 mi no RioPrevidência

> A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro pediu à Justiça o bloqueio de fundos de investimento do Banco Master. A solicitação decorre de um rombo de R$ 640 milhões identificado no RioPrevidência. A medida busca recuperar recursos de aposentados e pensionistas do estado.

*Viva Capital · Economia · 17 de julho de 2026 · Adriana Buarque*

A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro solicitou à Justiça o bloqueio de fundos de investimento ligados ao Banco Master, após identificar um rombo de R$ 640 milhões no RioPrevidência. A medida visa recuperar recursos de aposentados e pensionistas.

A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) protocolou nesta semana um pedido de bloqueio judicial de fundos de investimento ligados ao Banco Master, após auditoria interna do RioPrevidência apontar um rombo de R$ 640 milhões. O valor corresponde a aplicações feitas pelo fundo previdenciário dos servidores estaduais em ativos da "teia" de empresas controladas pelo banco, que agora correm risco de perda total.

Segundo a PGE-RJ, o pedido abrange cotas de fundos de investimento, imóveis e outros ativos registrados em nome de empresas do grupo Master, incluindo a Master Administradora de Recursos e a Master Corretora. A ação busca garantir o ressarcimento dos cofres públicos antes que os recursos sejam diluídos ou transferidos para terceiros.

## O rombo de R$ 640 milhões no RioPrevidência

A auditoria, concluída em maio de 2026, revelou que o RioPrevidência aplicou R$ 640 milhões em fundos de investimento geridos pelo Banco Master entre 2023 e 2025. Esses fundos, segundo documentos do processo, foram estruturados com lastro em títulos de dívida de empresas do próprio grupo Master, configurando o que a PGE-RJ chama de "autocarteira". Ou seja, o banco usava recursos de terceiros para financiar suas próprias operações.

O problema é que, em março de 2026, o Banco Central decretou a intervenção no Banco Master por problemas de liquidez. Com isso, os fundos que detinham esses títulos perderam valor de mercado, gerando o rombo no RioPrevidência.

### Como o dinheiro dos servidores foi parar nesses fundos

O RioPrevidência, que administra as aposentadorias de cerca de 150 mil servidores estaduais, investia parte de suas reservas em fundos de renda fixa classificados como "baixo risco" pela classificação de rating. Na prática, porém, esses fundos concentravam papéis do próprio Banco Master, sem diversificação real.

"A concentração em ativos de um mesmo emissor, sem garantias reais, viola os princípios de segurança que devem reger a gestão de recursos previdenciários", afirma o procurador-geral do Estado, Bruno Dauaire, em nota oficial.

## O que a Procuradoria pede exatamente

A PGE-RJ requereu à 4ª Vara da Fazenda Pública do Rio de Janeiro:

- Bloqueio de R$ 640 milhões em ativos do grupo Master, incluindo contas bancárias, imóveis e cotas de fundos
- Indisponibilidade de bens dos controladores do banco, para evitar dissipação de patrimônio
- Quebra de sigilo bancário e fiscal das empresas envolvidas, para rastrear o fluxo dos recursos

O juiz responsável ainda não decidiu sobre o pedido, mas fontes do tribunal indicam que a decisão deve sair nos próximos dias.

### O que acontece com os servidores que dependem do RioPrevidência

Para o servidor estadual, o bloqueio não afeta o pagamento imediato de aposentadorias e pensões. O RioPrevidência tem fluxo de caixa próprio, alimentado pelas contribuições mensais dos servidores ativos e do Estado. O rombo de R$ 640 milhões, porém, reduz o colchão de reservas, o que pode pressionar o governo a aumentar alíquotas ou buscar aportes extraordinários.

Em nota, o RioPrevidência informou que "as reservas técnicas estão sendo recompostas com recursos do Tesouro Estadual, conforme previsto em lei".

## O histórico de problemas do Banco Master

O Banco Master vinha sendo monitorado pelo Banco Central desde 2024, quando registrou aumento expressivo na carteira de crédito com operações de alto risco. A intervenção de março de 2026 foi a primeira medida concreta, mas desde então o banco tenta renegociar dívidas com credores.

A "teia" de empresas do Master inclui mais de 20 CNPJs, entre administradoras, corretoras e securitizadoras. Muitas dessas empresas têm os mesmos sócios e endereços, o que levou a PGE-RJ a pedir a desconsideração da personalidade jurídica.

## Como o caso pode evoluir

Se o bloqueio for concedido, a PGE-RJ terá 90 dias para apresentar uma ação de ressarcimento completa. O valor recuperado será destinado ao RioPrevidência, mas especialistas ouvidos pelo jornal O Globo estimam que a recuperação pode levar anos, dependendo da liquidez dos ativos bloqueados.

Para quem acompanha o caso, a recomendação é monitorar as decisões do Tribunal de Justiça do Rio e os comunicados do RioPrevidência. Servidores que quiserem mais informações podem acessar o portal do órgão portal do RioPrevidência.

## Perguntas Frequentes

### O que é o RioPrevidência?

É o regime próprio de previdência social dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões.

### O bloqueio afeta o pagamento das aposentadorias?

Não. O pagamento mensal está garantido pelas contribuições correntes. O bloqueio visa recuperar recursos que já foram investidos e estão em risco.

### Quanto tempo leva para reaver o dinheiro?

Depende da liquidez dos ativos bloqueados. Em casos semelhantes, a recuperação levou de 2 a 5 anos.

### O Banco Central já havia alertado sobre o risco?

Sim. O BC incluiu o Banco Master em seu relatório de estabilidade financeira de 2025, apontando concentração de risco em operações com partes relacionadas.

### O que fazer se eu for servidor e estiver preocupado?

Acompanhe os comunicados oficiais do RioPrevidência e, se necessário, busque orientação no sindicato da sua categoria.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/procuradoria-pede-bloqueio-fundos-teia-master-por-rombo-r-640-mi-rioprevidencia/
