A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, voltou a defender nesta sexta-feira, 11, a decisão de elevar juros. Segundo ela, a escolha ocorreu sem maiores divergências, motivada pelo impacto da crise de energia e das linhas de transmissão monetária.
A fala veio em evento do Groupe BPCE, onde Lagarde destacou a necessidade de os bancos centrais oferecerem previsibilidade e clareza em suas decisões, além de se adaptarem a desafios como eventos climáticos extremos. A defesa da alta de juros ocorre em meio a uma polêmica que persiste desde a coletiva de quinta-feira.
Na quinta, Lagarde criticou a proposta do candidato presidencial francês Jean-Luc Mélenchon de cancelar a dívida da França detida pelo banco central. Ela afirmou que a ideia do líder do La France Insoumise (LFI) "realmente não era uma boa ideia". "Do ponto de vista legal, técnico e financeiro, não é uma boa ideia e representa uma enorme perda de tempo", disse.
Nesta sexta, Mélenchon reativou a questão. Em um evento, afirmou: "Lagarde afirmou que seria ilegal cancelar a dívida detida pelo BCE. Ela está mentindo publicamente. Quando o BCE comprou títulos da dívida pública de bancos privados, os alemães entraram com um processo. O caso foi arquivado porque nada nos estatutos da União Europeia o proíbe".
O político também citou um estudo publicado pelo BCE no qual um economista afirma que a solução daria aos governos mais margem de manobra e reduziria as taxas de juros. Mélenchon lembrou ainda que Lagarde foi ministra de 2007 a 2011, período em que a França acumulou 500 bilhões de euros em dívidas. "Por vergonha pessoal, ela poderia ter se abstido de mentir publicamente sobre isso", afirmou.
Para quem planeja o longo prazo, decisões de política monetária como essa afetam diretamente o custo do crédito e a rentabilidade de investimentos. Acompanhar o embate entre BCE e lideranças políticas ajuda a antecipar cenários para a renda fixa e aposentadoria. como a alta de juros impacta seus investimentos