# Preços maiores sustentam alta das exportações aos EUA em agosto

> As exportações brasileiras aos EUA cresceram 12,1% em agosto, impulsionadas por preços maiores. O volume embarcado caiu 3,1%, indicando que a alta do valor veio de fatores tarifários e de custo, não de maior quantidade física. O resultado reflete o impacto das tarifas sobre o comércio bilateral.

*Viva Capital · Economia · 04 de setembro de 2026 · Larissa Monteiro*

Em agosto, as exportações brasileiras aos EUA cresceram 12,1% puxadas pela alta de preços. Volume caiu 3,1%. Entenda os efeitos das tarifas.

As exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 3,190 bilhões em agosto, alta de 12,1% ante o mesmo mês de 2025, quando totalizaram US$ 2,845 bilhões. O crescimento foi sustentado pela valorização dos produtos vendidos, mesmo com a entrada em vigor das novas tarifas do governo Donald Trump. O volume embarcado, porém, recuou 3,1% no mês.

Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão, o aumento foi determinado principalmente pela alta de 8,6% nos preços médios. "Esse aumento das exportações brasileiras no mês está calcado pelo crescimento de preços da exportação para os Estados Unidos, de 8,6%", disse ao informar os dados da balança comercial.

Entre os produtos que mais contribuíram estão aeronaves, carne bovina, produtos inacabados de ferro ou aço, cal, cimento, materiais de construção, tubos de ferro ou aço, celulose e café. Aeronaves e carne bovina foram excetuados das novas tarifas.

No acumulado de janeiro a agosto, as exportações aos EUA caíram 13,6% em volume e 9,7% em valor, para US$ 24,105 bilhões. As importações de produtos estadunidenses somaram US$ 27,316 bilhões no período, queda de 8,6%, gerando déficit de US$ 3,211 bilhões. Só em agosto, as compras cresceram 1,1%, para US$ 4,014 bilhões, com déficit de US$ 824 milhões no comércio bilateral.

Brandão afirmou que as oscilações são esperadas diante das interferências no comércio bilateral. "Dadas as múltiplas interferências no comércio com os Estados Unidos, temos observado uma grande oscilação nesse fluxo", avaliou. Segundo o Mdic, pouco mais de 20% do comércio com os EUA foi afetado pelas tarifas. O diretor ponderou que ainda é cedo para medir efeitos de um eventual redirecionamento das exportações para outros mercados.

Enquanto isso, as vendas à União Europeia avançaram 46,4% em agosto, para US$ 5,82 bilhões, com volume 30,3% maior. Petróleo, cobre, soja, óleos combustíveis, café, tabaco e carne bovina lideraram. Brandão citou condições de mercado, demanda por combustíveis por causa do conflito no Oriente Médio e maior procura por cobre. Faltam dados completos dos importadores europeus para dimensionar o efeito do acordo Mercosul-UE.

A balança comercial teve superávit de US$ 7,39 bilhões em agosto, alta de 23,8%. Entre os principais parceiros, os EUA foram o único com déficit para o Brasil. No acumulado do ano, o saldo positivo chega a US$ 55,32 bilhões, crescimento de 28,2%.

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