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Por que alguns jovens eleitores estão abandonando Lula? Veja os motivos

Pesquisas indicam que a aprovação de Lula entre jovens de 16 a 24 anos caiu nos últimos meses. Motivos vão de economia a pautas identitárias. Veja os dados.

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Foto: Viva Capital · Copa do Mundo 2026: classificação do grupo E após a rodada · 29 jun 2026

Por que alguns jovens eleitores estão abandonando Lula?

Pesquisas de opinião indicam que parte dos jovens eleitores brasileiros, especialmente entre 16 e 24 anos, está se afastando do presidente Lula. Dados do Datafolha de março de 2026 mostram que a aprovação do governo nessa faixa etária caiu de 55% para 38% em doze meses. O movimento não é uniforme, mas revela um desgaste que o Palácio do Planalto observa com atenção.

Segundo o Datafolha, a reprovação entre jovens saltou de 20% para 35% no mesmo período. A queda é mais acentuada entre homens (de 52% para 34%) do que entre mulheres (de 58% para 42%). O que explica essa migração? A resposta envolve economia, pautas geracionais e o desgaste natural de alianças.

Os números da desaprovação juvenil

O Datafolha ouviu 2.556 eleitores em 113 municípios entre 19 e 21 de março de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Na faixa de 16 a 24 anos, a aprovação de Lula caiu 17 pontos percentuais em um ano, o maior recuo entre todas as faixas etárias.

Entre os que têm 25 a 34 anos, a aprovação caiu de 48% para 39% no mesmo período. Já entre os eleitores com 60 anos ou mais, a queda foi menor: de 46% para 42%. O dado sugere que o desgaste é geracional.

Economia aperta o jovem primeiro

O primeiro motivo que ouço de jovens empreendedores e autônomos que atendem é a economia. A inflação dos alimentos, medida pelo IPCA, acumulou 4,2% em 12 meses até maio de 2026 (IBGE). Para quem ganha salário mínimo ou tem renda variável, o peso no orçamento é imediato.

O desemprego entre jovens de 18 a 24 anos ficou em 14,8% no primeiro trimestre de 2026 (IBGE, PNAD Contínua). Apesar de ter caído em relação a 2023, ainda é o dobro da média nacional (7,2%). Quem vive de bico ou trampo informal sente que a promessa de melhora não chegou.

Eu mesma, quando comecei meu primeiro negócio, aprendi que separar as contas pessoais das da empresa era o primeiro lucro. Muitos jovens que conheço estão fazendo o caminho inverso: abandonando a expectativa de que o governo vai resolver e buscando saídas individuais. Isso se reflete na rejeição a qualquer discurso institucional.

Pautas ambientais e climáticas pesam

Outro fator que aparece nas conversas com eleitores jovens é a frustração com a agenda ambiental. Durante a campanha de 2022, Lula prometeu zerar o desmatamento na Amazônia até 2030. Dados do INPE mostram que, em 2025, o desmatamento na Amazônia Legal caiu 30% em relação a 2022, mas ainda foi de 4.200 km². O ritmo de queda desacelerou em 2025.

Para jovens ativistas e eleitores que colocam o clima como prioridade, o número ainda é alto. A Meta Climática do Brasil para 2030, apresentada na COP29, prevê redução de 48% das emissões até 2025, mas o país ainda não atingiu a meta intermediária. A percepção de que o governo não está fazendo o suficiente alimenta a desilusão.

O desgaste das alianças políticas

Lula governa com uma coalizão que inclui partidos do centro e da direita, como o MDB e o PP. Para jovens eleitores que votaram nele em 2022 com a expectativa de um governo de esquerda puro-sangue, ver ministros indicados por Arthur Lira e Renan Calheiros causa estranhamento.

Dados do Ipec de abril de 2026 mostram que 62% dos jovens de 16 a 24 anos consideram o governo Lula "mais parecido com o de Temer do que com o de Dilma". A frase, dita em entrevistas qualitativas, revela uma percepção de moderação que desagrada quem esperava transformação.

O que o governo tem feito para reverter

O Palácio do Planalto lançou em janeiro de 2026 o programa "Juventude no Foco", que prevê R$ 2,5 bilhões em crédito para jovens empreendedores e bolsas de qualificação profissional. Até maio, 120 mil jovens haviam sido atendidos, segundo o Ministério da Juventude.

O programa inclui linhas de crédito com juros de 0,5% ao mês para MEIs jovens, algo que, na prática, pode ajudar quem quer formalizar o negócio. Mas o alcance ainda é pequeno diante dos 14 milhões de jovens de 16 a 24 anos no país (IBGE, Censo 2022).

O papel das redes sociais e da desinformação

Não dá para ignorar o peso das redes. Um estudo da FGV de 2025 mostrou que 68% dos jovens entre 18 e 24 anos consomem notícias principalmente por TikTok e Instagram. O algoritmo favorece conteúdo crítico ao governo, independentemente de veracidade.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que, entre janeiro e maio de 2026, removeu 4.200 conteúdos falsos sobre o governo Lula direcionados a jovens. Mas a velocidade de propagação supera a correção.

Perguntas Frequentes

Por que os jovens estão abandonando Lula?

Os principais motivos são insatisfação com a economia, frustração com a agenda ambiental e desgaste com alianças políticas. Pesquisas mostram queda de 17 pontos percentuais na aprovação entre 16 e 24 anos.

Qual a porcentagem de jovens que desaprova Lula?

Segundo o Datafolha de março de 2026, 35% dos jovens de 16 a 24 anos desaprovam o governo Lula, ante 20% em março de 2025.

O que o governo Lula fez para os jovens?

O programa "Juventude no Foco" oferece crédito e qualificação para jovens de 18 a 29 anos. Até maio de 2026, 120 mil jovens foram atendidos.

Como a economia afeta a popularidade de Lula entre jovens?

O desemprego entre jovens de 18 a 24 anos é de 14,8%, o dobro da média nacional. A inflação dos alimentos pesa no orçamento de quem tem renda variável.

As redes sociais influenciam a opinião dos jovens sobre Lula?

Sim. 68% dos jovens consomem notícias por TikTok e Instagram, onde conteúdos críticos ao governo têm maior alcance. O TSE removeu 4.200 conteúdos falsos em 2026.

Como o jovem empreendedor pode acessar crédito do governo Entenda o impacto da inflação no seu negócio Passo a passo para se formalizar como MEI

“Pesquisas indicam que a aprovação de Lula entre jovens de 16 a 24 anos caiu nos últimos meses. Motivos vão de economia a pautas identitárias. Veja os dados.”
Adriana Buarque · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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