A picanha e a cervejinha, símbolos da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), são apontadas como os grandes problemas econômicos do governo, ao lado da segurança pública. A afirmação é de Murilo Hidalgo, CEO da Paraná Pesquisas, durante o MacroDay, evento do BTG Pactual realizado em São Paulo nesta segunda-feira (31).
Segundo Hidalgo, os preços para a população estão "muito fortes", com a piora da economia batendo à porta. O endividamento das famílias bateu recorde histórico em julho, chegando a 82%. "As pessoas não estão conseguindo comprar a picanha e a cervejinha. Esses são os dois problemas econômicos do presidente Lula", disse.
Apesar do cenário, Hidalgo lembra que a campanha ainda está no início. Faltando um mês para as eleições, fatos "inesperados" podem ocorrer, como em pleitos anteriores. "Tivemos a queda do avião, tivemos facada, tivemos dinamite, tivemos tiro. E, nesta eleição, qual será o fato inesperado?", questionou.
Sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Hidalgo afirma que o candidato precisará mostrar preparo e que não é inexperiente para "tocar as coisas". Já Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, vê a polarização como desafio para ambos. Em um cenário cristalizado entre Lula e Flávio, a diferença pode estar na mobilização. "Se o comparecimento dentro do eleitor lulista consegue se manter em um patamar razoável e o eleitor bolsonarista está desmobilizado, isso pode levar o Lula à reeleição", explicou.
Roman também citou o caso Master como um detrator para Flávio, ao tirar da direita a pauta da corrupção, usada nas últimas duas décadas. "É muito difícil mobilizar a rejeição em relação à corrupção quando você mesmo está envolvido e tem acusações", completou. Ele ainda aponta que Flávio não tem atributos do pai, como carisma e capacidade de discurso.
Pesquisa BTG Pactual/Nexus para a eleição presidencial de 2026, divulgada nesta segunda-feira, mostrou a primeira mudança relevante na série iniciada em março. No primeiro turno, Lula tem 39%, Flávio Bolsonaro 33% e Augusto Cury 11%.