# PF aponta fraude de R$ 17 bilhões entre Master e BRB

> A Polícia Federal concluiu que as fraudes entre o Banco Master e o BRB somaram cerca de R$ 17 bilhões, estruturadas com documentos falsos e empresa de fachada. Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB estão presos por envolvimento no esquema.

*Viva Capital · Economia · 14 de setembro de 2026 · Henrique Salomão*

A Polícia Federal concluiu que as fraudes entre o Banco Master e o BRB somaram cerca de R$ 17 bilhões, estruturadas com documentos falsos e empresa de fachada. Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB estão presos.

A Polícia Federal concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) somaram cerca de R$ 17 bilhões. Segundo os investigadores, as operações foram "estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos", manipulação de dados internos e utilização de uma empresa de fachada.

A conclusão consta do conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos. Procurada, a defesa de Vorcaro não comentou. O Estadão não conseguiu contato até a noite de sábado (12) com os advogados de Costa.

A PF apontou "prática de corrupção explícita" pelo ex-presidente do BRB e calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a higidez da instituição. O Master vendeu carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado. O BRB herdou um prejuízo bilionário ainda não totalmente calculado nem coberto.

## Como a fraude teria funcionado

Conforme as investigações, o banco de Daniel Vorcaro passou a enfrentar dificuldades de liquidez mais graves a partir de 2024. Para conseguir recursos rapidamente, passou a vender carteiras de crédito ao BRB. A Tirreno, empresa suspeita de ter sido aberta para servir como veículo de emissão e circulação dos ativos, repassava créditos ao Master, que os vendia ao BRB. O objetivo seria conferir lastro a transações já realizadas entre os dois bancos, pois o Master não tinha histórico ou capacidade operacional de produção de crédito consignado suficiente para alcançar os volumes bilionários das operações.

A aprovação das compras era feita pela diretoria do BRB com "trâmite frequentemente acelerado", contrariando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao conselho de administração, segundo os relatórios da PF.

"Mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos, inexistência de lastro financeiro e impedimentos de auditoria, o BRB persistiu nas aquisições, suprimindo controles de governança e flexibilizando limites prudenciais, com o objetivo de favorecer o Banco Master", dizem os investigadores.

## Propina e documentos fabricados

A polícia identificou que, como contrapartida, Vorcaro pagou uma propina de R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique, operacionalizada por meio da aquisição de pelo menos seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. Foi essa informação que, em abril passado, levou o ministro André Mendonça a determinar a prisão do ex-presidente do BRB, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero.

Segundo a PF, Vorcaro tinha um grupo no WhatsApp com seus advogados para encaminhar documentos relativos ao Master e ao BRB. O grupo se chamava "Daniel e os leões".

Entre as fraudes, a PF descobriu que a equipe de tecnologia do Banco Master utilizava scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos, como o do programa CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia que veio parar no Banco Master. Houve ainda a fabricação de cláusulas simulando que clientes teriam dado poderes ao Master ou à Tirreno para assinar empréstimos em seus nomes, sem que os titulares jamais tivessem autorizado ou assinado qualquer procuração. Foram criadas automaticamente 2,7 mil procurações, das quais provavelmente saíram 1.785 enviadas ao BRB referentes a créditos supostamente originados pela Tirreno.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/pf-aponta-fraude-r-17-bilhoes-operacoes-entre-master-brb/
