Petróleo avança 4% com acordo sobre Ormuz e ataques dos houthis
O petróleo fechou em alta expressiva nesta quinta-feira, com o Brent subindo 3,83% e o WTI avançando 2,75%. O motivo: a escalada de tensões entre os houthis do Iêmen, aliados do Irã, e a Arábia Saudita no Mar Vermelho, somada a informações sobre um acordo para reabertura do Estreito de Ormuz que pode proibir a passagem de navios dos EUA e de Israel.
O contrato mais líquido do Brent, referência internacional, para outubro terminou o dia a US$ 82,49 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Já o WTI para setembro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, fechou a US$ 77,29 o barril.
O que está por trás da alta
As cotações foram pressionadas por relatos da agência de notícias iraniana Fars. Segundo a agência, o acordo de reabertura do Estreito de Ormuz teria como um dos pontos a proibição da passagem de navios dos Estados Unidos, de Israel e de "países hostis".
Além disso, embarcações que não respeitassem as regulamentações do Irã e de Omã estariam sujeitas a multa de 20% sobre o valor total da carga transportada.
A Fars também reportou, com base em fontes iemenitas, que as lideranças do Iêmen devem emitir comunicado anunciando operação militar de grande escala. Os houthis têm realizado ataques contra a Arábia Saudita e colocado em risco o tráfego de navios no Mar Vermelho.
Cautela e incerteza
Para Phil Flynn, analista do Price Futures Group, é preciso cautela. Uma reabertura duradoura de Ormuz é incerta, já que o memorando de entendimento de julho também previa reabrir o estreito.
"Irã e EUA ainda divergem sobre se estão negociando diretamente, quem controlaria as rotas de navegação e se alguma taxa de trânsito é aceitável", disse Flynn.
Projeção da Fitch
Enquanto isso, a Fitch Ratings manteve sua projeção de preço base para o Brent em US$ 87 por barril, em média, para 2026. Ou seja, a agência de classificação de risco não alterou sua visão de longo prazo apesar da volatilidade recente.
O que isso significa para o consumidor
Para quem acompanha o mercado, a alta de hoje reforça um ponto: o preço do petróleo é sensível a eventos geopolíticos, e isso pode se refletir nos combustíveis e na inflação ao longo do tempo. Mas é cedo para afirmar que essa alta se sustentará.
Como investidor, eu avalio que o cenário pede atenção, não euforia. O risco de uma reabertura que não se confirme é real, como o próprio analista do Price Futures Group alertou. E o risco que você não entende é risco dobrado.
Perguntas Frequentes
O que é o Estreito de Ormuz?
É uma passagem marítima estratégica no Golfo Pérsico, por onde circula grande parte do petróleo mundial. Qualquer ameaça à sua navegação tende a pressionar os preços.
Por que os houthis atacam a Arábia Saudita?
Os houthis do Iêmen, aliados do Irã, têm realizado ataques contra a Arábia Saudita, colocando em risco o tráfego de navios no Mar Vermelho.
O que é o WTI e o Brent?
São os dois principais contratos de petróleo do mundo. O Brent é referência internacional; o WTI é negociado nos EUA.
A alta de hoje vai durar?
Não há garantia. A reabertura de Ormuz é incerta, e analistas recomendam cautela. A Fitch, por exemplo, mantém projeção de US$ 87 para o Brent em 2026.
Este texto tem caráter informativo e não configura recomendação de investimento. Cada decisão deve considerar seu perfil e horizonte de tempo.
