O segundo trimestre de 2026 escancarou um retrato da bolsa brasileira: a rentabilidade segue concentrada em poucos grupos, mas a liderança mudou de intensidade. A Petrobras (PETR3;PETR4) voltou a um protagonismo raro, enquanto os bancos preservaram força estrutural, mesmo perdendo participação relativa.
Levantamento da Elos Ayta com as empresas listadas na B3 mostra que as dez mais lucrativas somaram R$ 101,2 bilhões de lucro líquido entre abril e junho, alta de 38,2% ante 2T25. Sozinha, a Petrobras respondeu por R$ 52,4 bilhões, ou 51,8% de todo o lucro gerado pelas líderes. No 2T25, essa fatia era de 36,4%; em doze meses, a estatal ampliou a influência em mais de 15 pontos percentuais.
Quando a Petrobras sai da conta, o cenário muda. O lucro das outras nove empresas cresce apenas 4,7%, de R$ 46,6 bilhões para R$ 48,8 bilhões. Ou seja, quase R$ 9 em cada R$ 10 do crescimento veio da estatal. O lucro da companhia praticamente dobrou, com salto de 96,8%, superando sozinho a soma de Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Vale (VALE3), Itaúsa (ITSA4), BTG Pactual (BPAC11), Ambev (ABEV3), Braskem (BRKM5), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11).
Essa concentração não é comum nem entre grandes commodities. Em mercados maduros, o crescimento agregado costuma depender de um grupo restrito, especialmente em energia, tecnologia ou recursos naturais. No Brasil, a Petrobras assumiu esse papel de forma contundente.
Os bancos seguem dominando pela presença: seis das dez líderes são do setor financeiro (Itaú, Bradesco, Itaúsa, BTG, BB e Santander), com R$ 35,2 bilhões de lucro conjunto, alta de 9,9%. Mas a participação caiu de 43,8% para 34,8% do total. As não financeiras (Petrobras, Vale, Ambev e Braskem) elevaram lucros em 60,3%, para R$ 66 bilhões, com queda de 43,3% da Vale e recuperação da Braskem, que saiu de prejuízo para lucro de R$ 3,3 bilhões.
A distribuição mudou: as nove empresas sem a Petrobras representavam 63,6% do lucro agregado no 2T25, e agora somam 48,2%. Para investidores, a leitura é clara: a bolsa segue rentável, mas a expansão está concentrada em poucos protagonistas, e nenhum teve peso comparável ao da Petrobras neste trimestre.