# Pedidos de recuperação judicial no agro sobem 33% no 1º tri e podem bater recorde em 2026

> Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro atingiram 517 no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% em relação ao mesmo período de 2025. O volume financeiro sob stress chega a R$ 38 bilhões, com destaque para produtores de soja, milho e pecuaristas. O recorde histórico pode ser batido em 2026.

*Viva Capital · Economia · 29 de julho de 2026 · Patrícia Mendonça*

Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro somaram 517 no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% ante o mesmo período de 2025, segundo a Neot. O volume financeiro sob stress atinge R$ 38 bilhões, com destaque para produtores de soja, milho e pecuaristas.

## Pedidos de recuperação judicial no agro do Brasil sobem 33% no 1º tri e podem bater recorde em 2026, aponta Neot

Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro somaram 517 no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 33% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo análise divulgada nesta quarta-feira (29) pela Neot. A companhia de tecnologia especializada em gestão de processos de insolvência e recuperação judicial indica que 2026 pode bater um novo recorde de solicitações.

O volume financeiro "sob stress" atingiu aproximadamente R$ 38 bilhões em passivos totais, dos quais R$ 31,5 bilhões estão concentrados em operações com passivo acima de R$ 30 milhões. Isso mostra que o problema não se restringe a pequenos produtores, mas abrange toda a cadeia agroindustrial.

## Por que os pedidos de recuperação judicial no agro estão crescendo?

A Neot cita o impacto de quebra de safras, queda de preços de commodities e crédito restrito em meio a juros mais altos. Mais da metade das solicitações envolveu produtores rurais na área de soja e milho, os dois principais grãos cultivados no Brasil, e pecuaristas, segundo o levantamento.

Embora o país deva registrar uma safra recorde de soja e milho em 2026, apagando a máxima histórica de 2025, a produção dos dois grãos despencou em 2024 por conta do clima desfavorável, pegando muitos produtores com dívidas. Isso, associado à queda nos preços pela oferta abundante, colaborou para o aumento dos pedidos de recuperações judiciais a patamares nunca vistos em 2025, com quase 2 mil pedidos.

"O principal fator (no caso da soja e milho) é justamente a queda acentuada de preços a partir de 2022/23, tornando ainda mais apertado o comércio no setor. O excesso de oferta derrubou os preços", afirmou Julio Moretti, CEO da Neot, à Reuters.

## Impacto dos juros altos e do crédito restrito

Numa conjuntura de juros altos, a captação de recursos ficou ainda mais difícil, acrescentou o executivo. Sem grandes recuperações nos preços dos grãos, as margens continuaram apertadas, acumulando prejuízos em muitos casos.

Segundo a companhia, os pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre sugerem que, "longe de uma normalização, a crise mantém velocidade de expansão significativa, potencialmente direcionando o ano para novo recorde histórico".

"Caso os sintomas primários (da crise) cessem rapidamente, ainda assim, os efeitos da crise devem perdurar por cerca de dois anos", pontuou Moretti. "Mas para a retomada real da rentabilidade no setor ocorrer nesse período, é necessário que se tenha todo o conjunto de fatores favoráveis: preços internacionais, produção, insumos e ausência de crises climáticas severas."

## Quem mais está pedindo recuperação judicial?

Os produtores rurais, pessoa física e jurídica, responderam por 305 pedidos de RJ, seguidos por revendas e distribuidoras de insumos (83 pedidos), impactadas pela inadimplência dos produtores. Agroindústrias e usinas somaram 62 pedidos, decorrentes de alta alavancagem e alto custo do dinheiro. Empresas de logística e armazenagem tiveram 41 solicitações, e indústrias de insumos, 26.

## Regiões mais afetadas

A maior concentração regional de pedidos está em Goiás, com 113 solicitações, e Mato Grosso, com 98. O Rio Grande do Sul, que sofreu mais com intempéries climáticas nos últimos anos, registrou 62 pedidos, seguido por Minas Gerais (56) e Paraná (54).

## O risco do El Niño para a safra 2026/27

A expectativa de um fenômeno climático El Niño forte em 2026, com eventuais impactos para as lavouras, traz preocupações para a safra 2026/27, disse a Neot. A soja da nova temporada começa a ser plantada em meados de setembro.

## Perguntas Frequentes

### O que dizem os números da Neot sobre recuperação judicial no agro?

A Neot registrou 517 pedidos de recuperação judicial no agronegócio no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% sobre o mesmo período de 2025, com R$ 38 bilhões em passivos sob stress.

### Quais culturas lideram os pedidos de recuperação judicial?

Soja e milho são os principais grãos envolvidos, com mais da metade dos pedidos concentrados em produtores dessas culturas e pecuaristas.

### O que causa o aumento das recuperações judiciais no setor?

A Neot aponta quebra de safras, queda de preços de commodities, crédito restrito e juros altos como os principais fatores.

### Quais estados têm mais pedidos de recuperação judicial?

Goiás lidera com 113 solicitações, seguido por Mato Grosso (98), Rio Grande do Sul (62), Minas Gerais (56) e Paraná (54).

### Como o El Niño pode afetar a safra 2026/27?

A expectativa de um El Niño forte em 2026 traz preocupações para as lavouras, especialmente para a soja, que começa a ser plantada em setembro.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/pedidos-recuperacao-judicial-agro-brasil-sobem-33-1-tri-podem-bater-recorde-2026/
