# Paralisação em oleoduto na Arábia Saudita pode cortar 4% do petróleo

> A paralisação do oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, fora de serviço desde sexta-feira (11), pode cortar até 4% do abastecimento global de petróleo caso a operação não seja retomada. Os estoques em Yanbu duram de cinco a sete dias, segundo estimativas de compradores.

*Viva Capital · Economia · 14 de setembro de 2026 · Patrícia Mendonça*

Com o oleoduto leste-oeste fora de serviço desde sexta-feira (11), os estoques de Yanbu duram de cinco a sete dias. Compradores estimam perda de até 4% do abastecimento global de petróleo se a operação não for retomada.

A Arábia Saudita pode ficar sem estoques de petróleo para exportação se não reiniciar seu principal oleoduto para o Mar Vermelho nos próximos dias, o que representaria uma perda de até 4% do abastecimento global. A avaliação é de compradores e corretores de petróleo sauditas ouvidos pela Reuters.

O oleoduto leste-oeste foi fechado na sexta-feira (11), depois que ataques com drones forçaram a paralisação. Riad não divulgou detalhes completos sobre a extensão dos danos nem sobre quanto tempo o trecho permanecerá fora de operação.

## Por que o oleoduto leste-oeste importa tanto

O maior exportador de petróleo do mundo vinha usando o duto para redirecionar cerca de 4 milhões de barris por dia, aproximadamente 4% do abastecimento global, ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Nos últimos seis meses, essa rota poupou a Arábia Saudita do impacto mais severo do fechamento do Estreito de Ormuz em tempo de guerra, que paralisou as exportações de seus vizinhos.

Sem o oleoduto, Yanbu tem estoques suficientes para manter as exportações por apenas cinco a sete dias, segundo três fontes do setor familiarizadas com as exportações sauditas. Uma quarta fonte afirma que o país também conta com estoques nos portos egípcios de Ain Sukhna, no Mar Vermelho, e Sidi Kerir, no Mediterrâneo.

As capacidades de armazenamento, segundo estimativas do setor, são de cerca de 35 milhões de barris em Yanbu, 18 milhões em Ain Sukhna e 20 milhões em Sidi Kerir. Os estoques não estão cheios e acabarão por se esgotar se o oleoduto não retomar as operações, disseram as quatro fontes.

## Reparos: estimativas divergem

Fontes que falaram com a Reuters apresentaram previsões diferentes. Uma delas afirmou que os reparos nos danos poderiam levar de cinco a seis semanas. Outra disse que o conserto poderia ocorrer mais cedo e que a operação poderia ser retomada parcialmente enquanto os reparos estivessem em andamento.

O fornecimento de petróleo saudita já caiu em agosto para o nível mais baixo em mais de três décadas, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), que coordena as políticas energéticas ocidentais. A redução reflete os fluxos menores pelo Estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho.

A AIE também informou que o fornecimento mundial de petróleo diminuirá este ano em 5,7 milhões de barris por dia, cerca de 6%. A escassez global já empurrou os preços dos combustíveis a níveis recordes, impulsionou a inflação em todo o mundo e levou os rendimentos dos títulos dos Estados Unidos aos patamares mais altos desde a crise financeira de 2008.

## O que isso significa para o seu bolso

Para quem acompanha a economia doméstica, o efeito prático passa por três frentes. A primeira é o preço dos combustíveis, que tende a sentir o impacto de qualquer aperto adicional na oferta global. A segunda é a inflação, que já vinha pressionada antes da paralisação. A terceira é o custo do dinheiro, com os rendimentos dos títulos americanos em alta desde 2008.

Ainda é cedo para cravar o repasse ao consumidor brasileiro. Tudo depende de quanto tempo o oleoduto ficará parado e de como os mercados vão precificar essa incerteza nos próximos dias. A retomada parcial, se confirmada, pode aliviar o cenário. Se os reparos levarem as cinco a seis semanas estimadas por uma das fontes, o quadro se complica.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/paralisacao-oleoduto-arabia-saudita-pode-causar-perda-4-abastecimento-petroleo/
