# Renovação de frota esbarra em crédito e juros, diz CEO da Marcopolo

> A Marcopolo enfrenta obstáculos na renovação de frotas de ônibus no Brasil devido a juros elevados e crédito escasso, conforme declaração do CEO André Armaganijan. A companhia utiliza banco próprio e o programa Move como estratégias para mitigar o gargalo financeiro. A solução depende de condições macroeconômicas favoráveis para viabilizar investimentos no setor.

*Viva Capital · Economia · 28 de agosto de 2026 · Adriana Buarque*

Juros elevados e crédito escasso dificultam a renovação de frotas de ônibus no Brasil, diz o CEO da Marcopolo, André Armaganijan. A companhia aposta em banco próprio e no programa Move para contornar o gargalo.

Os juros elevados estão segurando a renovação das frotas de ônibus no Brasil e em outros mercados onde a Marcopolo (POMO4) atua, mesmo com os operadores ainda interessados em comprar veículos novos. O problema, segundo André Armaganijan, CEO da companhia, é que muitos clientes já consumiram seus limites de crédito em ciclos anteriores de renovação e agora têm pouco espaço financeiro para novos investimentos.

"A gente enxerga que o mercado quer renovar, porque a frota, no Brasil e em vários mercados do mundo, a idade média envelheceu. Existe o interesse pela renovação. Só que, muitas vezes, você não tem espaço no contexto financeiro para fazê-la", afirmou o executivo em entrevista ao Money Minds, programa do Money Times no YouTube.

A situação ganha relevância porque a idade média das frotas aumentou. Segundo Armaganijan, alguns anos atrás a média girava em torno de oito anos; hoje, chega a aproximadamente 11 anos, dependendo do segmento. Com veículos mais antigos, cresce a necessidade de manutenção e, por tabela, o custo de operação das empresas de transporte.

O movimento se repetiu em diferentes países. No primeiro momento do ciclo, os operadores aproveitaram a necessidade de renovação e contrataram financiamento para comprar ônibus novos. Depois, com os juros elevados, o crédito disponível foi consumido. A Argentina é um exemplo: teve um ciclo importante de renovação de ônibus rodoviários, especialmente de dois pisos, e a operação da Marcopolo apresentou desempenho relevante em 2025. Agora, porém, os clientes que fizeram aquelas compras estão com limites de crédito comprometidos.

No Brasil, o mecanismo é semelhante. Para empresas que compram dezenas ou até centenas de ônibus de uma vez, a taxa de financiamento pesa na decisão. "Hoje, o ônibus tem um valor extremamente expressivo. Nós temos muitos clientes que compram dez, 20, 50, 100 ônibus... Então, ele tem um impacto muito grande", disse Armaganijan. Uma eventual queda da Selic ajudaria a destravar esse mercado, mas o executivo evita estimar o impacto de uma redução específica sobre as vendas.

## Como a Marcopolo contorna os entraves

A própria Marcopolo passou a buscar soluções financeiras para os clientes. A companhia criou um banco próprio e trabalha em parceria com instituições financeiras para ampliar as alternativas de financiamento. A ideia é atacar um dos principais gargalos: o valor elevado do ônibus e a necessidade de comprar vários veículos de uma só vez, o que torna o custo do crédito determinante.

O programa Move entra nessa estratégia. Na avaliação de Armaganijan, a iniciativa funciona como uma "ponte" em um momento em que os operadores já consumiram boa parte de seus limites de crédito. O programa oferece financiamento com taxa subsidiada e, embora não seja suficiente para uma renovação completa das frotas, deve gerar algum impacto positivo nas vendas no terceiro trimestre. O programa federal de R$ 21 bilhões foi dividido entre categorias de veículos, com parcela destinada aos ônibus.

A estratégia não se limita ao financiamento. Com os operadores pressionados pelo custo de capital, a Marcopolo tenta tornar os próprios ônibus mais baratos de operar: facilitar a manutenção, reduzir o tempo parado e usar tecnologia para identificar preventivamente problemas. A lógica é que, diante de um ônibus mais caro e crédito mais restrito, o operador recupere o investimento por meio de menor custo operacional.

No segmento urbano, a pressão é ainda maior. Além dos juros, os operadores enfrentam aumento do diesel e de outros custos, e a Marcopolo avalia que, em algumas regiões, "a conta não fecha". Para Armaganijan, o novo marco legal do transporte público pode ajudar. A Lei 15.432, de 2026, foi sancionada pelo presidente em junho e deve entrar em vigor em um ano, com novas regras para financiamento, contratação e gestão do transporte público coletivo urbano. Na visão da companhia, uma regulamentação que dê maior previsibilidade às receitas dos operadores pode destravar investimentos e a renovação das frotas.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/operadores-querem-renovar-frota-mas-credito-juros-sao-entraves-diz-ceo-marcopolo/
