A Oncoclínicas (ONCO3) informou nesta segunda-feira (14) que seu conselho de administração aprovou a eleição de Maurício Hasson para os cargos de diretor executivo financeiro e diretor executivo de relações com investidores da companhia. Hasson assume já nesta data, dando início ao processo de transição.
Com isso, Isaac Quintino, que vinha acumulando interinamente as funções de diretor financeiro e de RI desde 24 de abril de 2026, permanecerá na empresa apenas até a conclusão dessa transição.
Quem é o novo CFO da Oncoclínicas
Hasson tem mais de 14 anos de experiência em posições de CFO, incluindo uma passagem pela própria Oncoclínicas entre 2015 e 2016. Também atuou em bancos de investimento no Brasil e nos Estados Unidos. É engenheiro mecânico formado pela PUC-Rio e tem MBA pela The University of Chicago Booth School of Business.
A companhia agradeceu a Quintino pelas contribuições ao longo de oito anos na empresa, citando sua atuação em etapas como IPO, follow-on, consolidação via M&As, integrações e a estabilização operacional após a crise de desabastecimento.
A troca em meio à recuperação extrajudicial
A mudança ocorre em um momento de atenção para a Oncoclínicas, que recentemente também comunicou ao mercado a abertura de uma arbitragem envolvendo disputa societária. Em meados de julho, a companhia anunciou pedido de recuperação extrajudicial como parte do processo de reestruturação de sua dívida financeira, estimada em R$ 5,1 bilhões.
Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores, com o objetivo de chegar a acordos sobre a reestruturação.
Como a Oncoclínicas chegou a esse cenário
A situação atual é resultado de uma sucessão de eventos. O principal foi a tentativa de expansão após a oferta pública de ações (IPO) em 2021. A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como core do negócio, mas ampliou o foco de clínicas de diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica. Somado a isso, do lado macro, o aumento da taxa básica de juros (Selic) impactou o custo financeiro da dívida, a capacidade de geração de caixa e o processo de desalavancagem da companhia. Já no micro, aumento de revisões pelas operadoras de planos de saúde e alongamento dos prazos se juntaram ao cenário.