A agência de classificação de riscos Fitch Ratings rebaixou os ratings de inadimplência do emissor (IDRs) de longo prazo da Oi em moedas estrangeira e local de 'RD' para 'D', patamar que corresponde a calote. O rating nacional de longo prazo também foi cortado para 'D(bra)', ante 'RD(bra)'. Em seguida, a Fitch retirou todos os ratings da companhia, incluindo os das notas seniores com garantia com vencimento em 2027 e 2028, e anunciou que não fornecerá mais cobertura analítica para a operadora.
A decisão veio após a Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) confirmar a falência da Oi em julgamento realizado em 25 de agosto de 2026. O tribunal de segunda instância negou provimento aos agravos de instrumento apresentados pelo Itaú Unibanco e pelo Banco Bradesco contra a decisão de primeira instância, de 10 de novembro de 2025, da Sétima Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro, que havia convertido a recuperação judicial do Grupo Oi em falência, com manutenção provisória das operações.
Segundo os analistas da Fitch, o rebaixamento reflete a entrada da Oi em processo de insolvência após a decisão do TJRJ. A agência retirou os ratings das notas seniores sem realizar uma ação de rating relacionada porque não dispõe de informações suficientes para estimar as perspectivas de recuperação dessas emissões. As demonstrações financeiras consolidadas mais recentes disponíveis da companhia são datadas de 30 de junho de 2025.
O caminho até a falência
A Oi, que já foi considerada a maior operadora de telecomunicações da América Latina, enfrentou duas recuperações judiciais na última década, com a segunda iniciada em 2023. Em novembro de 2025, a Justiça decretou a falência da empresa por esvaziamento patrimonial e inviabilidade comercial. A decisão foi suspensa após recursos dos bancos, e a Oi retornou ao processo de recuperação judicial, que visava preservar a continuidade e a transição de serviços essenciais.
O Bradesco defendeu à época que a quebra da companhia não seria a medida mais benéfica para atender os credores e destacou que a falência não protegia os envolvidos, dada a relevância dos serviços prestados pela Oi. O Itaú argumentou que a recuperação judicial deveria ser mantida, uma vez que a falência acarretaria prejuízos potencialmente mais graves aos credores e clientes.
O julgamento em segunda instância teve início no fim de junho e foi interrompido por pedido de vista do desembargador Augusto Alves Moreira Júnior. A relatora, desembargadora Monica Maria Costa Di Piero, votou para rejeitar os recursos apresentados pelo Itaú e pelo Bradesco. Após a retomada, a 1ª Câmara do TJ/RJ decidiu rejeitar os recursos dos bancos, mantendo a decisão da primeira instância que decretou a falência da Oi.
O que isso significa para quem tem dinheiro na mesa
Para o investidor pessoa física ou o credor que acompanha o caso, o rebaixamento para 'D' e a retirada da cobertura pela Fitch encerram uma fase de acompanhamento público da qualidade de crédito da Oi. Sem ratings ativos, a companhia deixa de ter uma referência formal de risco para os papéis que ainda circulam. A ausência de demonstrações financeiras consolidadas atualizadas desde junho de 2025 reforça a dificuldade de estimar qualquer recuperação.
recuperação judicial o que muda para credores
A decisão também consolida o entendimento do TJRJ sobre a inviabilidade da recuperação. Para clientes e credores, o processo de falência segue sob responsabilidade do juízo da Sétima Vara Empresarial, que conduz os atos de arrecadação e verificação de créditos. como funciona a falência de uma empresa