A Oi ainda tem um ativo avaliado em pelo menos R$ 1,4 bilhão para transformar em dinheiro no processo de falência. O problema é que ninguém quis comprá-lo quando a companhia ainda estava em recuperação judicial, e a quebra pode tornar a operação ainda mais complicada.
A Oi Soluções, braço de serviços corporativos, foi colocada à venda em junho com preço mínimo de R$ 1,417 bilhão. Interesse inicial não faltou: Vivo, Claro, TIM, V.tal e Sercomtel se habilitaram, mas nenhuma apresentou proposta na audiência de 17 de junho. O preço foi definido a partir de avaliação da G5 Partners, que estimou o negócio entre R$ 1,272 bilhão e R$ 1,599 bilhão. Nos bastidores, potenciais compradores questionavam o valuation e a qualidade da carteira, com contratos de margens baixas ou negativas e outros próximos do vencimento.
A carteira não é pequena: cerca de 14 mil contratos, sendo aproximadamente 60% com órgãos públicos e 40% com clientes privados. Incluía também estrutura operacional, receitas, custos e relações com fornecedores.
Com a falência confirmada pelo TJ-RJ, nova tentativa de venda pode ocorrer no processo falimentar. O tribunal determinou a preservação dos atos de alienação e liquidação realizados durante a recuperação e dos negócios iniciados enquanto a falência esteve suspensa. A decisão registra que a alienação da UPI Oi Soluções estava em "fase intermediária".
A dificuldade vai além do preço. A falência adiciona incertezas: o valor da Oi Soluções depende da manutenção dos contratos, e quanto mais longa a busca por comprador, maior o risco de clientes migrarem. Nos contratos públicos, a transferência pode exigir anuência do órgão contratante, o que não garante que toda a carteira seja transferida. Cerca de seis em cada dez contratos eram com o setor público.
Credores financeiros também podem abrir disputa. Em caso de venda, bondholders devem questionar a destinação dos recebíveis gerados por clientes, sob o argumento de que teriam direitos sobre esses fluxos.
A falência retoma uma quebra decretada em novembro de 2025, suspensa após recursos de credores como Itaú e Bradesco. A Oi, que entrou em recuperação judicial em 2016 e voltou em 2023, agora enfrenta disputa com fundos como Pimco, SC Lowy e Ashmore, que chegaram a reunir 58,28% do capital em dezembro de 2024. A companhia os responsabiliza por influenciar a administração; a Pimco nega.
Para famílias e investidores, o caso mostra que ativos em processos de recuperação podem demorar a virar caixa. Planejar a saída de um investimento com horizonte longo reduz surpresas. recuperação judicial e investimentos