Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais
A demógrafa Elza Berquó, uma das maiores referências em estudos populacionais no Brasil, morre aos 101 anos em São Paulo. A pesquisadora foi fundadora do Departamento de Demografia do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e professora emérita da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Seu legado atravessa décadas de produção científica que moldaram o entendimento sobre fecundidade, mortalidade materna e direitos reprodutivos no país.
O que Elza Berquó fez pela demografia brasileira?
Elza Berquó foi a primeira demógrafa a estruturar no Brasil um centro de pesquisa focado em dinâmicas populacionais com rigor metodológico. Em 1974, ela fundou o Departamento de Demografia do Cebrap, instituição que se tornou referência na análise de dados censitários e pesquisas domiciliares. Seu trabalho influenciou diretamente a criação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), hoje PNAD Contínua, coordenada pelo IBGE.
Segundo o IBGE, a PNAD é o principal instrumento de acompanhamento da força de trabalho e das condições socioeconômicas da população brasileira. Berquó foi uma das vozes que defenderam a ampliação da pesquisa para incluir temas como fecundidade e saúde reprodutiva, algo inovador para a época.
Contribuições para a saúde pública e direitos reprodutivos
Uma das áreas mais marcantes da atuação de Elza Berquó foi a pesquisa sobre mortalidade materna e aborto. Ela coordenou estudos pioneiros no Brasil que revelaram a magnitude do aborto inseguro como causa de morte de mulheres jovens. Esses dados foram usados por décadas por organizações de saúde e movimentos feministas para pressionar por políticas de planejamento familiar e acesso a métodos contraceptivos.
Em 1996, Berquó publicou um estudo seminal sobre a incidência de aborto no Brasil, baseado em dados do Ministério da Saúde e do IBGE. O trabalho mostrou que, na época, cerca de 1,4 milhão de abortos eram realizados anualmente no país, a maioria em condições precárias. A pesquisa foi citada em relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e ajudou a embasar a criação de políticas como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher.
Legado acadêmico e institucional
Elza Berquó formou gerações de demógrafos e cientistas sociais no Brasil. Ela foi orientadora de mestrado e doutorado de pesquisadores que hoje ocupam cátedras na USP, Unicamp e na Fundação Getulio Vargas. Sua abordagem interdisciplinar combinava estatística, sociologia e saúde pública, algo raro na época.
Entre os prêmios que recebeu, destaca-se o título de Professora Emérita da USP, concedido em 2005, e a Medalha de Mérito Científico do Governo Federal, em 2010. Em 2023, o Cebrap criou o Prêmio Elza Berquó de Demografia, voltado a jovens pesquisadores.
O impacto na política pública
Para quem trabalha com políticas públicas há anos, a influência de Berquó é clara. Os dados que ela ajudou a produzir foram usados pelo Ministério da Saúde para desenhar programas de saúde da mulher, como o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), de 1983. Mais tarde, subsidiaram a criação da Política Nacional de Planejamento Familiar, em 1996.
Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade materna no Brasil caiu de 140 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 1990 para 57 em 2024. Berquó foi uma das pesquisadoras que alertaram para a necessidade de monitoramento contínuo desses indicadores.
Perguntas Frequentes
Quem foi Elza Berquó?
Elza Berquó foi uma demógrafa brasileira, fundadora do Departamento de Demografia do Cebrap e professora emérita da USP. Ela é considerada uma das maiores referências em estudos populacionais no Brasil.
Qual foi a principal contribuição de Elza Berquó?
Ela foi pioneira em pesquisas sobre fecundidade, mortalidade materna e aborto no Brasil, que influenciaram políticas públicas de saúde e planejamento familiar.
Onde Elza Berquó estudou?
Ela se formou em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e fez pós-graduação em Demografia na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.
Elza Berquó recebeu algum prêmio?
Sim, recebeu o título de Professora Emérita da USP (2005) e a Medalha de Mérito Científico do Governo Federal (2010), entre outros.
Como o trabalho de Elza Berquó impactou a política pública?
Seus dados sobre mortalidade materna e aborto foram usados pelo Ministério da Saúde para criar programas como o PAISM e a Política Nacional de Planejamento Familiar.
Onde posso encontrar mais informações sobre Elza Berquó?
No site do Cebrap e na biblioteca digital da USP, há artigos e entrevistas disponíveis publicamente.
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