# Moraes descartou impedimento para escritório da esposa atender Master

> Alexandre de Moraes, ministro do STF, descartou impedimento para o escritório da esposa, Viviane de Barci, atender o Banco Master. A nota oficial afirma que não houve atuação do ministro no STF relacionada ao caso e que o contrato não configura conflito legal. A decisão foi comunicada publicamente.

*Viva Capital · Economia · 01 de setembro de 2026 · Henrique Salomão*

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, descartou impedimento para o escritório da esposa, Viviane de Barci, firmar contrato com o Banco Master. Nota diz que não houve atuação no STF nem conflito legal.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), descartou qualquer impedimento para que o escritório de advocacia liderado pela sua esposa, Viviane de Barci, firmasse um contrato para prestar consultoria jurídica ao Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro. A informação consta em nota divulgada pelo escritório nesta terça-feira.

Segundo a manifestação, o setor de compliance do escritório, em razão da abrangência do contrato entre o Master e a banca, solicitou informações a Moraes, na condição de marido da sócia diretora, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação. A consulta considerava possíveis ações no STF sob sua relatoria ou participação em julgamentos de interesse do possível cliente.

"Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", ressaltou a nota.

A manifestação ocorre após reportagem publicada nesta terça-feira pelo site do jornal Estado de S. Paulo, com base em investigação da Polícia Federal, afirmar que Moraes editou o contrato de R$ 131 milhões do escritório liderado por sua mulher com o Master. Conforme a PF, metadados do documento enviado pelo WhatsApp da esposa do ministro ao banqueiro registraram alterações feitas ao arquivo do contrato. Em março, o escritório da mulher do ministro havia confirmado ter prestado os serviços ao Master.

A investigação sobre o Master no Supremo está sendo conduzida pelo ministro André Mendonça, relator do caso. Em outra frente, Mendonça pediu à Procuradoria-Geral da República que se manifeste sobre um documento produzido pela PF em que haveria uma suposta mensagem de Vorcaro a Moraes mencionando um questionamento sobre a possibilidade de "reverter" o andamento das investigações contra ele junto a "Paulo" e "Andrei", referência indireta ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O caso foi revelado pelo site Metrópoles, reportado por outros veículos e confirmado pela Reuters com uma fonte com conhecimento direto do assunto. Uma fonte da PGR disse à Reuters que Gonet não teria o que fazer na ocasião porque o caso corria na primeira instância, e os procuradores de lá têm independência funcional. Tanto que Vorcaro foi preso mesmo assim em novembro. Mendonça deu prazo de cinco dias para a PGR se manifestar.

O Banco Master foi liquidado em novembro do ano passado, época em que Vorcaro foi preso pela primeira vez em uma investigação da PF. Solto posteriormente, ele voltou a ser preso preventivamente em março.

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