Ministério da Agricultura institui grupo de trabalho sobre impacto do El Niño
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu um grupo de trabalho (GT) para analisar os impactos do fenômeno El Niño na agropecuária brasileira e propor medidas de mitigação. A iniciativa, que reúne representantes do governo, setor produtivo e academia, busca coordenar ações para proteger a produção agrícola e pecuária dos efeitos climáticos adversos.
Por que o Mapa criou esse grupo de trabalho?
A decisão do Mapa de criar o GT responde à necessidade de preparar o setor agropecuário para os eventos climáticos extremos associados ao El Niño. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera os padrões de chuva e temperatura em várias regiões do Brasil, com impactos diretos na produção de grãos, frutas, carnes e leite.
Segundo o Ministério da Agricultura, o GT terá prazo de 120 dias para apresentar um relatório com diagnósticos e propostas de ação. O grupo é composto por técnicos de diferentes secretarias do Mapa, além de convidados da Embrapa, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e de entidades representativas dos produtores rurais.
O que o El Niño pode causar na agropecuária brasileira?
Os efeitos do El Niño variam conforme a intensidade do fenômeno e a região do país. De acordo com o Inmet, o El Niño pode provocar secas no Norte e Nordeste, chuvas excessivas no Sul e alterações no regime de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste. Essas mudanças afetam diretamente o calendário agrícola, a produtividade das lavouras e a qualidade dos pastos.
- Região Sul: chuvas acima da média podem atrapalhar a colheita de soja e milho, além de favorecer doenças fúngicas.
- Região Nordeste: secas prolongadas reduzem a disponibilidade de água para irrigação e para o gado.
- Região Norte: estiagem afeta a navegabilidade dos rios e o escoamento da produção.
Como o grupo de trabalho vai atuar?
O GT terá duas frentes principais de trabalho. A primeira é o levantamento de dados históricos e projeções climáticas para mapear as áreas mais vulneráveis. A segunda é a elaboração de um plano de contingência com medidas práticas, como zoneamento agrícola de risco climático, incentivo ao seguro rural e difusão de tecnologias adaptativas.
O Mapa informou que o GT deverá ouvir especialistas de universidades e centros de pesquisa, além de realizar consultas públicas com sindicatos e cooperativas. A ideia é que as propostas sejam construídas de forma participativa e tenham adesão do setor produtivo.
Quais medidas já estão sendo discutidas?
Embora o GT ainda esteja em fase inicial, algumas linhas de ação já são debatidas no Mapa. Uma delas é a ampliação do subsídio ao prêmio do seguro rural, que hoje cobre uma parcela pequena dos agricultores. Outra é o fortalecimento dos sistemas de alerta precoce, com boletins regionais semanais durante o período de maior risco.
Há ainda a possibilidade de revisão das regras do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que indeniza perdas por eventos climáticos. O governo estuda aumentar a cobertura para culturas mais sensíveis ao El Niño, como milho e feijão.
O que dizem os especialistas?
Pesquisadores da Embrapa alertam que o Brasil precisa de um planejamento de longo prazo para conviver com a variabilidade climática. Segundo eles, o El Niño não é um evento isolado, mas parte de um ciclo natural que pode se intensificar com as mudanças climáticas globais.
Para o setor produtivo, a criação do GT é vista com otimismo, mas há cobrança por agilidade. "Precisamos de respostas concretas antes da próxima safra", afirmou o presidente de uma das principais confederações da agricultura, em nota divulgada à imprensa.
Como o produtor rural pode se preparar?
Enquanto as políticas públicas não saem do papel, o produtor pode adotar medidas práticas para reduzir riscos. Uma delas é diversificar as culturas plantadas, evitando depender de uma única safra. Outra é investir em sistemas de irrigação e drenagem, que ajudam a enfrentar tanto secas quanto excesso de chuva.
O monitoramento climático também é essencial. Aplicativos e boletins do Inmet e da Embrapa oferecem previsões regionalizadas que ajudam no planejamento do plantio e da colheita como usar dados climáticos no planejamento agrícola.
Quais os próximos passos?
O GT tem 120 dias para entregar o relatório final ao ministro da Agricultura. Depois disso, o Mapa deverá transformar as propostas em portarias e decretos, com prazo de implementação previsto para o início de 2027. A expectativa é que as medidas comecem a valer antes da próxima safra de verão, que é a mais afetada pelo El Niño.
Perguntas Frequentes
O que é o grupo de trabalho do El Niño do Ministério da Agricultura?
É um comitê formado por técnicos do Mapa, Embrapa, Inmet e entidades do setor para estudar os impactos do El Niño na agropecuária e propor ações de mitigação.
Qual o prazo para o grupo de trabalho apresentar resultados?
O GT tem 120 dias para entregar um relatório com diagnósticos e propostas ao ministro da Agricultura.
Quais regiões do Brasil são mais afetadas pelo El Niño?
As regiões Sul, Nordeste e Norte são as mais vulneráveis, com chuvas excessivas no Sul e secas no Norte e Nordeste, segundo o Inmet.
O seguro rural cobre perdas por El Niño?
Sim, o seguro rural cobre perdas por eventos climáticos, mas a adesão ainda é baixa. O GT deve propor a ampliação do subsídio ao prêmio.
Como o produtor pode se proteger do El Niño?
Diversificando culturas, investindo em irrigação, monitorando boletins climáticos e contratando seguro rural.
