# Augusto Cury, IA e os destaques do Agro Times

> Augusto Cury, psiquiatra e escritor brasileiro, discutiu em entrevista de quase 50 minutos as possibilidades da inteligência artificial no agronegócio, mas deixou lacunas sobre temas como Embrapa e seguro rural. A conversa gerou reflexões sobre inovação no campo, porém sem aprofundar políticas públicas ou aplicações práticas para o setor agropecuário nacional.

*Viva Capital · Economia · 13 de setembro de 2026 · Adriana Buarque*

Conversa de quase 50 minutos com Augusto Cury rendeu sonhos para o agro, mas deixou lacunas sobre Embrapa, seguro rural e IA. Reuni minhas impressões e os destaques da semana no Agro Times.

Sou entusiasta de fazer algo pela primeira vez. Costumo dizer que, depois da primeira, tudo fica natural. Nesta última semana, conversei pela primeira vez com um candidato à Presidência da República: o médico, escritor e produtor rural Augusto Cury.

Desde o começo do ano, venho levantando uma pergunta no Agro Times: quem é o candidato do agronegócio? Fazia sentido ouvir quem tem relação com um setor que responde por cerca de um quarto do PIB brasileiro.

O que ficou da conversa, em resumo: Cury defendeu seguro rural entre 30% e 50% (hoje menos de 3%, segundo número citado por ele), 100 usinas de etanol de milho, um polo de fruticultura no semiárido e a conversão de usinas de cana em unidades híbridas para processar milho na entressafra. Faltaram respostas objetivas sobre Embrapa, IAC, atração de capital estrangeiro e redução do preço dos alimentos.

Durante os quase 50 minutos de bate-papo, Cury mencionou inteligência artificial uma dezena de vezes. Em determinado momento, interrompeu a entrevista para mostrar seu próprio chatbot no celular e perguntou à ferramenta sobre o futuro do agronegócio, os impactos da IA e como o Brasil deveria se preparar. Depois da resposta, declarou: "Parabéns! O aluno está ficando melhor que o mestre." A IA respondeu: "Eu fico honrado, mas o mestre continua sendo referência. Seguimos aprendendo juntos, cada um puxando o outro para cima."

A fixação chamou a atenção. Cury citou Elon Musk: "Elon Musk, na sua santa genialidade, diz: 'Você trabalha se quiser daqui a quatro ou cinco anos'. Mas, na sua ingenuidade, ele não fala quem vai pagar a conta desses desempregados, se os governos estão colapsados, se tudo vai cair de preço e a arrecadação vai diminuir. Eu sou muito preocupado com o caminho que a humanidade está trilhando."

Em diferentes momentos da campanha, Cury afirmou que "uma pessoa que nunca plantou uma horta não pode definir o futuro da agricultura", crítica que parece direcionada principalmente aos candidatos Lula e Flávio Bolsonaro.

Do lado positivo, chamaram minha atenção os sonhos de transformar parte do semiárido em polo de fruticultura, chegar a pelo menos 100 usinas de etanol de milho e construir uma cadeia integrada entre milho, etanol, DDGS, produção animal e agroindústria. Também vale registrar que ele reservou tempo considerável da agenda para conversar, algo raro nesta corrida eleitoral que coleciona fujões de debates.

Ainda assim, muitas propostas soaram superficiais. Não ficou claro quanto Cury destinaria à Embrapa nem como fortaleceria a estatal e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Também é difícil entender como os US$ 200 bilhões em capital estrangeiro prometidos seriam atraídos. E não houve detalhamento sobre elevar a cobertura do seguro rural de forma fiscalmente sustentável, reduzir preços dos alimentos, aumentar a produtividade da pecuária bovina ou estimular o consumo de biocombustíveis.

Nos destaques do Agro Times desta semana, o setor também repercutiu outros temas. O 'Rei da Soja' disse que Bolsonaro errou ao enfrentar a China e chamou Trump de 'doidão'. Blairo Maggi defendeu postura pragmática diante da rivalidade entre chineses e norte-americanos. A SLC Agrícola (SLCE3) virou top pick do JP Morgan. O Goldman Sachs viu risco de fortes altas para commodities agrícolas diante de três ameaças globais. A Bayer apontou 'incerteza brutal' com recuperações judiciais no agro. A Cosan (CSAN3) marcou data para deixar a Bolsa de Nova York. E a FIEPA alertou que a não dragagem do Tapajós pode travar 5 milhões de toneladas de grãos e causar impacto de até R$ 850 milhões.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/minhas-impressoes-sobre-augusto-cury-sua-obsessao-inteligencia-artificial-destaq/
