# Leilão de Santos baliza atratividade de concessões portuárias

> O leilão de Santos testará a viabilidade do modelo de concessões de canais de acesso portuário no Brasil. O projeto de Santos, junto com Itajaí e Rio Grande do Sul, define a atratividade do setor após o pioneirismo de Paranaguá. A concessão de Santos baliza a expansão de investimentos privados em infraestrutura portuária nacional.

*Viva Capital · Economia · 10 de agosto de 2026 · Thiago Vasques*

Com projetos de Itajaí, Santos e Rio Grande do Sul em preparação, o leilão de Santos será decisivo para testar a viabilidade do modelo de concessões de canais de acesso, após o pioneirismo de Paranaguá.

## Leilão de Santos baliza atratividade de concessões de canais de acesso

O mercado espera que o leilão do canal de acesso de Santos (SP) seja decisivo para testar a viabilidade e a atratividade do modelo de concessões portuárias. Com os projetos de Itajaí (SC), Santos e Rio Grande do Sul ainda em preparação, agentes do setor avaliam que o desempenho da concessão paulista servirá de referência para futuros projetos, por se tratar do maior complexo portuário do País em movimentação de cargas.

## O que muda com a concessão dos canais de acesso

O leilão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (PR), realizado em outubro de 2025, deu início ao plano do governo federal de transferir à iniciativa privada a manutenção das condições de navegabilidade dos principais acessos portuários. O modelo inclui dragagem, sinalização náutica, monitoramento hidrográfico e gestão operacional dos canais.

Até então, a União e as autoridades portuárias eram responsáveis por contratar e financiar obras periódicas de dragagem. Em portos como Itajaí, atrasos nesses contratos geraram preocupações quanto à manutenção dos calados e à entrada de embarcações.

## O risco da "indústria da dragagem"

Durante a estruturação do modelo, um dos receios do setor era o risco de a concessão estimular uma "indústria da dragagem", com a remuneração do operador excessivamente associada ao volume de material retirado do fundo dos canais. Para Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, movimento que reúne os seis principais grupos de infraestrutura do País, a modelagem adotada pelo governo reduziu esse risco ao vincular a remuneração à manutenção da navegabilidade, e não à quantidade de sedimentos dragados.

"O ideal da dragagem é você dragar menos possível. Primeiro porque é uma atividade muito cara. Segundo porque tem toda a questão ambiental de achar um local para depósito. O governo encontrou uma modelagem inteligente de conceder. O compromisso de quem vence é para garantir a navegabilidade", afirmou Glanzmann ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Segundo ele, os concessionários podem recorrer a diferentes soluções, incluindo sistemas de sinalização, monitoramento contínuo da batimetria e acompanhamento da dinâmica dos sedimentos ao longo do ano. "Estamos vendo o primeiro modelo entrar em operação em Paranaguá. Agora vamos acompanhar como será o desenvolvimento dos projetos de Santos, Itajaí e Rio Grande do Sul", disse.

## Críticas: modelo pode ser oneroso demais

Apesar da avaliação positiva de parte do mercado, há agentes que consideram o modelo excessivamente oneroso para os futuros concessionários. A crítica central é que a estrutura transfere ao setor privado uma parcela relevante dos riscos associados à demanda, à necessidade de dragagens adicionais e aos custos de manutenção dos canais.

Diferentemente das concessões rodoviárias ou dos arrendamentos portuários, em que demanda e custos operacionais tendem a ser mais previsíveis, as concessões de canais de acesso estão sujeitas a variáveis de difícil mensuração. Entre elas estão a evolução do assoreamento, a ocorrência de eventos hidrológicos extraordinários e mudanças no fluxo de embarcações ao longo da vigência contratual.

Esses fatores podem elevar significativamente os custos do projeto sem aumento proporcional das receitas, o que leva investidores a acompanhar com atenção a forma como o poder concedente distribui os riscos. Para esses agentes, o sucesso do modelo dependerá de mecanismos capazes de reequilibrar os contratos diante de eventos extraordinários. Nesse contexto, o leilão de Santos é visto como um importante termômetro para medir o apetite dos investidores.

## Visão da consultoria e da agência reguladora

A consultora de Infraestrutura, Óleo e Gás e Energia do Instituto Livre Mercado (ILM), Simone Mayara, afirma que o setor acompanha a iniciativa com cautela. Há dúvidas sobre a possibilidade de replicar um mesmo modelo de concessão para canais com características operacionais e econômicas tão distintas. "Esperamos ver como o governo vai fazer para esse novo modelo funcionar. Não consigo ver uma forma disso avançar. A Antaq não tem conseguido chegar à conclusão em temas simples que são gargalos relevantes", disse.

O corpo técnico da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) afirma que não percebe a questão dessa forma. Diz que as empresas se mostram "muito" interessadas nos certames desde a concessão do serviço no canal de Paranaguá e já apresentaram interesse em participar do leilão de Itajaí, o próximo na fila do governo federal, com previsão para publicação do edital em agosto.

## Posição do Ministério de Portos e Aeroportos

O Ministério de Portos e Aeroportos sustenta que os projetos seguem os mesmos princípios aplicados às demais concessões federais, com consultas e audiências públicas e estruturação voltada à modicidade tarifária e ao equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. "Qualquer potencial participante que identifique algum desequilíbrio no modelo pode contribuir nas consultas e audiências públicas, seja para sanar eventuais dúvidas ou para propor mitigações", afirmou a Pasta em nota.

## Perguntas Frequentes

### O que é um canal de acesso portuário?

É a via de navegação que conecta o porto ao mar aberto, exigindo manutenção constante de calado, sinalização e monitoramento para garantir a entrada segura de embarcações.

### Por que o leilão de Santos é considerado um teste decisivo?

Por ser o maior complexo portuário do País em movimentação de cargas, o desempenho da concessão paulista servirá de referência para a atratividade do modelo em futuros projetos.

### O que é a "indústria da dragagem"?

É o risco de a remuneração do operador ficar excessivamente associada ao volume de material dragado, incentivando dragagens desnecessárias. A modelagem atual vincula a remuneração à navegabilidade.

### Quando deve ocorrer o leilão de Itajaí?

O edital está previsto para publicação em agosto, sendo Itajaí o próximo na fila do governo federal após Paranaguá.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/mercado-espera-leilao-canal-acesso-santos-balizar-atratividade-modelo/
