# Mercadante defende novo modelo do futebol brasileiro

> Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, defendeu em 2025 um novo modelo de gestão para os clubes de futebol brasileiros, citando o estudo de experiências internacionais pelo banco. As dívidas dos 20 maiores clubes do país alcançaram R$ 16 bilhões, cenário que motivou a proposta de mudança no modelo de administração.

*Viva Capital · Economia · 14 de setembro de 2026 · Henrique Salomão*

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, defendeu mudança no modelo de gestão dos clubes brasileiros e afirmou que o banco estuda experiências internacionais. Dívidas dos 20 maiores clubes chegaram a R$ 16 bilhões em 2025.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu uma mudança no modelo de gestão dos clubes brasileiros de futebol e afirmou que o banco estuda experiências internacionais para o setor. A declaração ocorreu durante o Seminário Brasil Hoje, realizado pelo Grupo Esfera.

A fala veio acompanhada de um diagnóstico direto sobre as finanças do futebol nacional. "Estamos estudando experiências internacionais para mudar o nosso modelo de gestão. Precisamos mudar o modelo. Os clubes se endividam sem prudência. Temos talento, mas falta gestão", disse o presidente do BNDES.

Mercadante não detalhou quais experiências internacionais estão sendo analisadas nem apresentou prazo para a conclusão dos estudos.

## O tamanho do endividamento que sustenta o debate

O cenário descrito pelo presidente do BNDES aparece em números. Segundo levantamento da Sports Value, os 20 maiores clubes do país por receita encerraram 2025 com R$ 16 bilhões em dívidas, avanço de 16% em relação aos R$ 13,8 bilhões registrados em 2024.

O aumento ocorreu mesmo com o crescimento do faturamento. As receitas somadas alcançaram R$ 15 bilhões, alta de 36% na comparação anual. Ainda assim, o grupo registrou déficit de R$ 1,1 bilhão no exercício, de acordo com a consultoria.

O Corinthians liderou o ranking de endividamento, com R$ 2,45 bilhões, seguido por Atlético-MG, com R$ 2,29 bilhões, e Botafogo, com R$ 1,57 bilhão. Cruzeiro e Palmeiras completaram as cinco primeiras posições, ambos com aproximadamente R$ 1,15 bilhão. Os números se referem ao fechamento de 2025.

## Por que isso importa para quem torce e para quem investe

Para o torcedor, o endividamento costuma aparecer na forma de elenco mais curto, venda antecipada de jovens e renegociação de contratos. Para quem acompanha o futebol como negócio, a leitura é outra: receita crescendo 36% e dívida crescendo 16% mostram que o problema não é falta de dinheiro entrando, e sim a forma como ele é administrado.

É o mesmo raciocínio que aplicamos ao orçamento de uma família. Aumentar a renda sem organizar o passivo tende a reproduzir o desequilíbrio em escala maior. Planejar cedo é o juro mais barato que existe, e no futebol esse princípio vale tanto quanto na aposentadoria de qualquer pessoa.

O que falta saber é o desenho da proposta. Mercadante citou estudo de experiências internacionais, sem especificar quais modelos nem cronograma. Qualquer mudança de gestão que venha a ser sugerida pelo banco ainda depende de discussão com os próprios clubes e com as entidades do setor.

Enquanto isso, os números de 2025 seguem como o retrato mais recente disponível: R$ 16 bilhões em dívidas para os 20 maiores clubes, déficit de R$ 1,1 bilhão e uma constatação que o próprio presidente do BNDES resumiu em uma frase, talento existe, gestão ainda é o gargalo.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/mercadante-bndes-defende-novo-modelo-futebol-brasileiro-confirma-estudos-8216os-/
