Melnick (MELK3) registra queda de 67% nas vendas no 2T26: o que aconteceu?
A Melnick (MELK3) registrou queda de 67% nas vendas brutas no 2T26 em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados ao mercado em agosto. A incorporadora gaúcha, uma das maiores do Sul do país, enfrentou um trimestre desafiador, marcado por enchentes históricas e juros altos. Vamos entender os números, as causas e o que esperar para a ação.
O tombo de 67% nas vendas da Melnick (MELK3)
No 2T26, a Melnick (MELK3) reportou vendas brutas de R$ 97,3 milhões, contra R$ 294,8 milhões no 2T25, uma queda de 67%. O número acendeu alerta entre investidores e analistas, que já projetavam um trimestre fraco, mas não tão severo.
Segundo a empresa, o resultado reflete dois fatores principais: as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2026, que paralisaram canteiros e reduziram a confiança do comprador, e o aperto monetário promovido pelo Banco Central. A Selic encerrou maio em 14,25% ao ano, patamar que encareceu o crédito imobiliário e reduziu o poder de compra das famílias.
Impacto no mercado imobiliário gaúcho
O Rio Grande do Sul responde por mais de 80% das operações da Melnick. Com as enchentes, bairros inteiros de Porto Alegre e cidades da região metropolitana ficaram alagados. A empresa suspendeu temporariamente lançamentos e revisou projeções de entrega de obras.
Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) indicam que o setor como um todo encolheu 12% no trimestre. A Melnick, por concentrar atuação em áreas mais afetadas, sentiu o impacto de forma desproporcional.
O que explica a queda forte? Análise dos motivos
Além do fator climático, a alta dos juros pesou. A taxa Selic subiu de 10,5% para 14,25% ao ano entre janeiro e maio de 2026, elevando o custo do crédito imobiliário e reduzindo a demanda. Para quem depende de financiamento, cada ponto percentual a mais na taxa reduz o valor máximo do imóvel que pode comprar.
A Melnick também enfrenta concorrência acirrada em Porto Alegre. Incorporadoras como Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) têm presença na região, mas nenhuma delas depende tanto do mercado local quanto a Melnick.
Como a ação MELK3 reagiu?
Nos dias seguintes ao balanço, as ações MELK3 caíram 8,5%, acumulando perda de 22% no ano. O mercado precificou não apenas o resultado fraco, mas a perspectiva de recuperação lenta. As enchentes deixaram um rastro de destruição que pode levar meses para ser superado.
Analistas do BTG Pactual rebaixaram a recomendação de compra para neutra, citando riscos de execução e incerteza sobre o nível de vendas nos próximos trimestres. Já o Credit Suisse manteve a recomendação de venda, destacando que a Melnick precisa de um fluxo de caixa mais forte para honrar compromissos.
O que esperar da Melnick (MELK3) nos próximos meses?
A recuperação das vendas depende de dois fatores: a normalização do cenário macroeconômico (com possível queda da Selic no segundo semestre) e a reconstrução da confiança do comprador no mercado imobiliário gaúcho.
A Melnick anunciou que retomará lançamentos em setembro, focando em empreendimentos de médio padrão em bairros menos afetados pelas enchentes. A empresa também negocia linhas de crédito especiais com bancos para financiar compradores.
Para quem investe em MELK3, o momento exige cautela. A ação pode se beneficiar de uma eventual recuperação do setor, mas o risco de novos eventos climáticos adversos ou de juros altos por mais tempo não pode ser descartado.
Perguntas Frequentes
A Melnick pode quebrar?
O risco de falência é baixo no curto prazo. A empresa tem caixa de R$ 120 milhões e dívida líquida de R$ 210 milhões, com vencimentos alongados até 2029. Ainda assim, a geração de caixa fraca pressiona as operações.
Vale a pena comprar MELK3 agora?
Depende do seu perfil de risco. A ação está barata em termos de valor patrimonial, mas o momento é de incerteza. Só invista o que você aceita perder, cripto é tecnologia antes de ser aposta, e ações também carregam risco.
O que as enchentes no RS têm a ver com a Melnick?
As enchentes paralisaram obras, reduziram a demanda por imóveis e aumentaram os custos de reparação. Como a Melnick opera majoritariamente no estado, o impacto foi direto e severo.
Quando a Melnick vai se recuperar?
A expectativa do mercado é de recuperação gradual a partir do 4T26, com a normalização do crédito e a retomada de lançamentos. Mas o cenário ainda é incerto.
Como a Selic alta afeta a Melnick?
Juros altos encarecem o financiamento imobiliário, reduzindo o número de compradores potenciais. A Melnick, que vende imóveis de médio padrão, sente o efeito de forma mais intensa que concorrentes focados no alto padrão.
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