Liderado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), um manifesto empresarial reúne 2.650 entidades de classe para pedir que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) examine os fatos em sessão pública. O movimento, chamado de "Manifesto à Nação Brasileira", ocorre em meio à crise institucional que atinge o País. A articulação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão/Broadcast.
O texto afirma que o Brasil atravessa uma "crise institucional de extrema gravidade" e que o epicentro é a própria Corte. As entidades defendem que não há Estado de Direito sem juízes acima de qualquer suspeita, e que a autoridade de um tribunal decorre da imparcialidade, transparência e exemplaridade. O manifesto pede que o plenário examine os fatos "sem subterfúgios e sem corporativismo", decidindo com urgência.
A manifestação ocorre após a Polícia Federal revelar 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a um número identificado como pertencente ao ministro Alexandre de Moraes, citando aeronaves e contratos com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. Os diálogos foram revelados em primeira mão pelo Estadão/Broadcast.
Entre as entidades que confirmaram adesão estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Anfavea e o Sinfavea. Algumas entidades do agro e têxtil, porém, mostram receio de aderir em período eleitoral, temendo "contaminação do pleito" e retaliações em casos julgados na Corte.
Uma versão preliminar do texto, chamada "Manifesto pela Justiça Brasileira", defendia o afastamento de autoridades suspeitas, mas foi descartada. A Fiesp já articulou outras mobilizações, como em 2021, com Skaf, e em 2022, sob Josué Gomes da Silva. O manifesto deve ser divulgado ainda nesta terça-feira, 8.