O Citi avalia que a trajetória das contas públicas em 2027 dependerá menos do vencedor das eleições presidenciais e mais da capacidade do próximo governo de construir base de apoio em um Congresso fragmentado. O banco vê o fortalecimento dos fundamentos fiscais como premissa para o desempenho da economia no próximo ano.
As pesquisas apontam segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, com Augusto Cury, do Avante, como terceira via. Para o Citi, os dois principais candidatos seguiriam caminhos distintos na consolidação fiscal.
Em novo mandato de Lula, o cenário mais provável é a manutenção do arcabouço fiscal com parâmetros mais rígidos, como a redução do teto de crescimento real das despesas de 2,5% para 1,5% ao ano. Já Flávio Bolsonaro provavelmente tentaria substituir o arcabouço e acelerar cortes, via Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que exige três quintos dos votos em dois turnos na Câmara e no Senado.
A governabilidade será determinante. Tanto a coalizão de Lula quanto o PL devem controlar menos de um quarto das cadeiras do Congresso, o que obriga o próximo presidente a negociar com partidos de centro. "Além da disposição para avançar com a agenda fiscal, a capacidade dos candidatos de ampliar sua coalizão em torno das medidas será fundamental", afirma o banco.
O Citi projeta desaceleração da economia em 2027, sem ampliar relevante o hiato do produto. A desinflação deve seguir lenta, e uma melhora fiscal reduziria pressões sobre expectativas de inflação, juros e ativos. O cenário-base do banco prevê algum fortalecimento fiscal, mas a materialização depende da estratégia do eleito e de sua aprovação no Congresso.