# Citi vê Congresso como chave para ajuste fiscal em 2027

> O Citi identifica o Congresso fragmentado como fator decisivo para o ajuste fiscal em 2027. O banco projeta que Lula manteria o arcabouço com teto menor, enquanto Flávio Bolsonaro apostaria em uma PEC para alterar regras fiscais. A análise considera o cenário político como determinante para a trajetória das contas públicas no próximo mandato presidencial.

*Viva Capital · Economia · 03 de setembro de 2026 · Larissa Monteiro*

O Citi vê o Congresso fragmentado como peça-chave para o ajuste fiscal em 2027. Lula manteria o arcabouço com teto menor; Flávio Bolsonaro apostaria em PEC.

O Citi avalia que a trajetória das contas públicas em 2027 dependerá menos do vencedor das eleições presidenciais e mais da capacidade do próximo governo de construir base de apoio em um Congresso fragmentado. O banco vê o fortalecimento dos fundamentos fiscais como premissa para o desempenho da economia no próximo ano.

As pesquisas apontam segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, com Augusto Cury, do Avante, como terceira via. Para o Citi, os dois principais candidatos seguiriam caminhos distintos na consolidação fiscal.

Em novo mandato de Lula, o cenário mais provável é a manutenção do arcabouço fiscal com parâmetros mais rígidos, como a redução do teto de crescimento real das despesas de 2,5% para 1,5% ao ano. Já Flávio Bolsonaro provavelmente tentaria substituir o arcabouço e acelerar cortes, via Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que exige três quintos dos votos em dois turnos na Câmara e no Senado.

A governabilidade será determinante. Tanto a coalizão de Lula quanto o PL devem controlar menos de um quarto das cadeiras do Congresso, o que obriga o próximo presidente a negociar com partidos de centro. "Além da disposição para avançar com a agenda fiscal, a capacidade dos candidatos de ampliar sua coalizão em torno das medidas será fundamental", afirma o banco.

O Citi projeta desaceleração da economia em 2027, sem ampliar relevante o hiato do produto. A desinflação deve seguir lenta, e uma melhora fiscal reduziria pressões sobre expectativas de inflação, juros e ativos. O cenário-base do banco prevê algum fortalecimento fiscal, mas a materialização depende da estratégia do eleito e de sua aprovação no Congresso.

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