O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 27, durante sabatina promovida pela TV Globo, que não está preocupado com a dívida pública brasileira. Questionado sobre a trajetória da relação dívida/PIB, que atingiu 81,9% do PIB em junho deste ano, Lula respondeu: "A mim não preocupa a dívida pública. Eu herdei esse governo com déficit fiscal de 2,8% (do PIB). Sabe quanto vai ser esse ano? Superávit primário de 0,1% (do PIB)".
O presidente também relativizou o porcentual, comparando com países desenvolvidos. "80% de dívida para um país não é muito se você olhar para os EUA, Japão, Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB, é de US$ 40 trilhões", declarou. Ele ainda ironizou a imprensa pela defesa histórica do Banco Central independente, atribuindo parte da dívida à taxa de juros.
Lula culpou o governo de Jair Bolsonaro (PL) pela situação fiscal, afirmando que "pegamos o País em uma situação que não tínhamos orçamento para governar" e que a PEC da transição foi para pagar um rombo deixado pelo outro governo, de R$ 94 bilhões. Ele também destacou que foi o único líder do G20 a fazer superávit primário por oito anos consecutivos.
O presidente não respondeu se adotaria medidas de ajuste fiscal em um eventual quarto mandato, apesar de integrantes de sua equipe econômica já terem indicado a necessidade. Ele apenas disse que quer governar por mais quatro anos para avançar em temas como minerais críticos, inteligência artificial e defesa. O plano de governo fala, de forma genérica, em "responsabilidade fiscal" e "redução sustentada das taxas de juros" plano de governo Lula 2026.
A condução do tema já causou atritos na campanha. O ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli, coordenador do programa, deixou de dar entrevistas após repercussão negativa. Desde então, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, virou o principal interlocutor com o mercado, e Fernando Haddad é visto como uma eminência parda na agenda econômica Dario Durigan e a política fiscal.