Light (LIGT3) homologa aumento de capital de R$ 1,5 bilhão e pede fim da recuperação judicial
A concessionária de energia Light (LIGT3) conseguiu, em 10 de junho de 2025, a homologação judicial de um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão. Com essa injeção de recursos, a empresa protocolou formalmente o pedido de encerramento da recuperação judicial, processo que teve início em maio de 2023. O movimento sinaliza uma tentativa de reestruturação financeira definitiva, mas ainda há riscos para acionistas minoritários.
Segundo a própria Light, em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o aumento de capital foi aprovado em assembleia geral extraordinária em 31 de março de 2025. A homologação judicial, concedida pela 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, confirma a legalidade da operação e permite que a empresa avance com o plano de saída da recuperação judicial.
Como funciona o aumento de capital na prática
A Light (LIGT3) emitiu novas ações ordinárias e preferenciais, totalizando o valor de R$ 1,5 bilhão. Os principais acionistas, como a Energisa, que detém cerca de 45% do capital, subscreveram parte relevante da oferta. O dinheiro será usado para pagar credores e reforçar o caixa da empresa, que acumulava dívidas de aproximadamente R$ 11 bilhões antes do pedido de recuperação judicial.
O aumento de capital por subscrição privada é uma ferramenta comum em reestruturações, mas exige que o acionista atual tenha direito de preferência, ou seja, de comprar as novas ações antes de terceiros. Quem não exerceu esse direito viu sua participação diluída.
O que significa a homologação judicial?
A homologação judicial é o aval do juiz responsável pela recuperação judicial de que o aumento de capital seguiu todas as regras legais e estatutárias. No caso da Light, a juíza Luiza Carvalho, da 7ª Vara Empresarial do Rio, confirmou que a assembleia foi válida e que o valor foi integralizado corretamente. Sem essa etapa, o dinheiro não poderia ser usado para quitar débitos com credores.
Impacto para acionistas da Light (LIGT3)
Para quem já tinha ações da Light antes do aumento de capital, o efeito imediato é a diluição, cada ação existente passou a representar uma fatia menor do total. Quem participou da subscrição, porém, manteve ou ampliou sua participação.
A ação LIGT3 acumulava, até o fechamento de 9 de junho de 2025, queda de cerca de 35% no ano, refletindo a incerteza jurídica e operacional. Com o pedido de encerramento da recuperação judicial, o mercado pode reagir positivamente no curto prazo, mas não há garantia de valorização sustentada.
O pedido de encerramento da recuperação judicial
A Light protocolou, junto com a homologação, um pedido formal de encerramento da recuperação judicial. A empresa argumenta que cumpriu integralmente o plano aprovado pelos credores em outubro de 2023, que previa pagamento de 100% das dívidas com deságio de até 70% para alguns credores.
A recuperação judicial da Light foi um dos maiores casos do setor elétrico brasileiro. A empresa atende cerca de 4,5 milhões de clientes na região metropolitana do Rio de Janeiro e enfrentava dificuldades financeiras desde 2021, agravadas por perdas de receita com furto de energia (os chamados "gatos") e inadimplência.
Próximos passos no processo
Se o juiz aceitar o pedido de encerramento, a Light sai formalmente da recuperação judicial e volta a operar sem supervisão judicial. Os credores que não receberam integralmente, caso de alguns fornecedores e debenturistas, ainda podem recorrer, mas a empresa afirma que todos os pagamentos previstos no plano foram feitos.
Riscos que permanecem
Mesmo com o aumento de capital e o pedido de encerramento, a Light enfrenta desafios operacionais. O nível de endividamento ainda é alto, e a empresa precisa recompor seu caixa para investir na rede elétrica. Além disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) acompanha de perto a situação, e eventuais multas regulatórias podem surgir.
Para o investidor, o principal risco é a diluição acionária e a possibilidade de nova emissão de ações no futuro, caso a empresa precise de mais capital. Não há garantia de distribuição de dividendos no curto prazo, a Light deve priorizar o pagamento de dívidas.
Perguntas Frequentes
O que é a Light (LIGT3)?
É uma concessionária de distribuição de energia elétrica que atende a região metropolitana do Rio de Janeiro. Suas ações são negociadas na B3 sob o ticker LIGT3.
O aumento de capital de R$ 1,5 bilhão já foi aprovado?
Sim. Foi aprovado em assembleia em 31 de março de 2025 e homologado pela Justiça em 10 de junho de 2025.
O que acontece com quem tem ações da Light?
Quem não exerceu o direito de preferência teve sua participação diluída. O valor da ação pode oscilar com as notícias, mas a empresa ainda enfrenta riscos.
A Light vai sair da recuperação judicial?
A empresa protocolou o pedido de encerramento. A decisão final cabe ao juiz, que pode aprovar ou exigir mais esclarecimentos.
Quando a Light pode voltar a pagar dividendos?
Não há previsão. A prioridade é pagar dívidas e recompor o caixa. Dividendos só devem voltar após estabilização financeira.
Quais os riscos de investir em LIGT3?
Diluição acionária, endividamento alto, riscos regulatórios e volatilidade típica de empresas em recuperação judicial. Consulte um assessor financeiro antes de investir.