A Light (LIGT3) anunciou, no final da noite desta quarta-feira (9), o encerramento da recuperação judicial da companhia. Em fato relevante, a empresa declarou cumpridas todas as obrigações previstas no Plano de Recuperação Judicial verificadas durante o período de fiscalização, compreendido entre 18 de junho de 2024 e 18 de junho deste ano.
O encerramento foi decretado pela Justiça do Rio de Janeiro mais cedo no mesmo dia. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro se manifestou favoravelmente ao fim do processo.
O que foi cumprido no plano da Light
Entre as medidas implementadas pela operadora de energia elétrica que atende 31 municípios do Rio de Janeiro estão o pagamento à vista de mais de 27 mil credores com créditos de até R$ 30 mil, a emissão e entrega dos novos instrumentos de dívida previstos no plano, a reestruturação de títulos emitidos no exterior e um aumento de capital ligado à renovação da concessão da Light Serviços de Eletricidade.
A decisão determinou ainda providências finais, como a prestação de contas pela Administração Judicial e a retirada da expressão "Em Recuperação Judicial" dos atos, contratos e documentos da empresa.
O que segue em execução
Algumas obrigações continuam em andamento por terem vencimento posterior ao período de fiscalização. Entre elas, a conversão obrigatória de determinadas debêntures em ações, o exercício de bônus de subscrição e o repasse de recursos do aumento de capital à Light Serviços de Eletricidade.
A sentença ressalta que o descumprimento das obrigações remanescentes poderá permitir aos credores prejudicados cobrar especificamente seus créditos ou requerer a falência, conforme previsto na legislação.
Em comunicado ao mercado, a companhia informou que continuará atualizando acionistas e demais interessados sobre os desdobramentos do processo.
Para quem acompanha o caso de perto, o encerramento da recuperação judicial não encerra a leitura do plano. É o tipo de evento que muda o capítulo, não o livro. Do ponto de vista de quem investe com horizonte de vida, a pergunta relevante não é apenas se a empresa saiu da recuperação, mas como a estrutura de capital saída do processo sustenta a operação nos próximos anos. Planejar cedo é o juro mais barato que existe, e isso vale tanto para famílias quanto para quem analisa uma tese de longo prazo.
O primeiro passo, aqui, é acompanhar os próximos fatos relevantes e a efetiva conclusão das obrigações remanescentes antes de tirar conclusões definitivas sobre o caso.