O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou, nesta sexta-feira (28), a remoção de postagens no X que divulgam um atentado falso contra o empresário Luciano Hang, da Havan. O material acusa o candidato ao governo do Estado Fernando Haddad (PT) de ser o mandante de um crime que nunca ocorreu. As publicações são iscas para atrair vítimas a um golpe financeiro.
A decisão é da juíza auxiliar da propaganda eleitoral do TRE-SP, Domitila Manssur, que atendeu a um pedido da coligação Desperta São Paulo e do próprio Haddad. Para a Justiça, as publicações não eram apenas críticas ou opiniões políticas, mas afirmavam como fato um crime inexistente.
As postagens são clicáveis e levam a um site falso que reproduz a identidade visual do jornal O Globo, simulando uma matéria jornalística. O próprio Luciano Hang já havia alertado, em 25 de agosto, que sua imagem estava sendo usada de forma indevida em páginas fraudulentas.
A juíza determinou que o X remova, em 24 horas, os conteúdos publicados nos perfis @789farh e @thadeusimoes. A plataforma também terá que preservar dados de cadastro, pagamento e metadados das publicações, além de informar à Justiça, em 48 horas, se houve impulsionamento pago e o responsável. Em caso de descumprimento, a multa será de R$ 5 mil por dia, podendo chegar a R$ 50 mil. A juíza negou, por ora, pedidos para suspender as contas ou bloquear o site, por considerar as medidas desproporcionais neste momento.
Até a publicação da reportagem, todos os materiais seguiam no ar.
Quem acessa o site fraudulento encontra uma reportagem completa, com fotos, aspas, entrevista fictícia e até comentários de leitores, tudo para simular credibilidade. Primeiro, o suposto atentado contra Hang é apresentado como prova de que ele "incomoda o sistema" por promover uma plataforma de investimentos milagrosa. Depois, uma entrevista forjada reforça a tese, com Hang supostamente acusando Haddad e o governo de tentarem bloquear a plataforma.
A partir daí, o texto muda. Some o tom de notícia e entra a promessa de dinheiro fácil. Um "estudo de caso" mostra um mecânico fictício que teria quitado dívidas em quatro meses. Em seguida, surge o relato de um funcionário de uma empresa jornalística gerado por inteligência artificial, com um "diário" de lucros crescentes.
O site detalha valores para tornar a promessa convincente. Com aporte mínimo de R$ 500, a página promete rendimento mensal entre R$ 5.500 e R$ 8.200, até 16 vezes o valor investido. Para um segundo aporte, o "Pacote de Crescimento", a promessa sobe para até R$ 14.000 mensais. Por fim, comentários simulam prova social: viúvas, engenheiros "convertidos", elogios a Hang e insinuações de que o silêncio do governo seria admissão de culpa.
Eu já vi golpe assim de perto, e o padrão é sempre o mesmo: usar a imagem de alguém conhecido para dar credibilidade a uma mentira. A decisão do TRE-SP é um passo concreto para cortar a raiz do problema, mas a lição para o pequeno empreendedor é direta: desconfie de promessa de retorno alto e rápido. Se parece bom demais, é golpe. Antes de investir, cheque a fonte, procure o site oficial do veículo e nunca clique em links de posts sensacionalistas.