# Juros longos dos EUA atingem máxima em 18 anos após Fed manter juros pela 5ª vez consecutiva

> Os rendimentos do Treasury de 30 anos dos EUA atingiram 5,244% em 1º de maio de 2024, maior nível desde julho de 2007. O Federal Reserve manteve os juros inalterados pela quinta vez consecutiva, com decisão não unânime. O movimento gerou divergências nas curvas de juros e incertezas sobre futuras ações de política monetária.

*Viva Capital · Economia · 29 de julho de 2026 · Patrícia Mendonça*

Os rendimentos do Treasury de 30 anos dos EUA atingiram 5,244%, maior nível desde julho de 2007, após o Fed manter os juros inalterados pela quinta vez consecutiva. A decisão, não unânime, gerou movimentos opostos nas curvas de juros e incertezas sobre o próximo passo da política

## Juros longos dos EUA atingem máxima em 18 anos após Fed manter juros pela 5ª vez consecutiva

Os rendimentos do título do Tesouro dos Estados Unidos de 30 anos, o Treasury, atingiram 5,244% nesta quarta-feira (29), o maior nível desde julho de 2007. O movimento veio após a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta vez consecutiva.

Os rendimentos dos Treasuries de 2 anos, de curto prazo, recuaram levemente, enquanto o dólar perdeu força. A inclinação da curva refletiu as incertezas dos investidores sobre a capacidade do Fed de manter a inflação sob controle, em meio ao recuo nas apostas de alta nos juros na próxima decisão, em setembro.

## Por que os juros longos subiram?

Marcos Mollica, gestor da SPX Capital, afirmou em nota que a reação da curva foi condizente com a falta de clareza sobre o que o Fed espera para apertar a política monetária. Houve um forte steepening, com a ponta curta (2 anos) fechando cerca de 10 pontos-base e a ponta longa (30 anos) abrindo outros 10 pontos-base, em direções opostas. O movimento foi puxado pela combinação entre uma ponta curva ancorada e uma ponta longa exigindo mais prêmio por risco de inflação e de credibilidade.

O comunicado do Fed não trouxe novidades: reconheceu que a atividade econômica segue "sólida", a inflação permanece "elevada" e reiterou o compromisso com a estabilidade de preços. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, avaliou que a comunicação foi "muito simples e enxuta, sem dar um forward guidance sobre possíveis movimentos em setembro".

## Dissenso no Fed e a sinalização de Warsh

A decisão, já esperada pelo mercado, não foi unânime. Beth Hammack (Fed de Cleveland), Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) e Lorrie Logan (Fed de Dallas) defenderam uma alta de 25 pontos-base, marcando o maior dissenso desde setembro de 2016. Os três dirigentes já haviam defendido, na reunião de abril, a retirada do viés de flexibilização monetária do comunicado.

Na coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que conseguiu uma "boa discussão familiar" na reunião, mas ressaltou que o Comitê optou pela estabilidade por uma "ampla maioria". Warsh destacou os níveis mais elevados dos juros nominais e reais dos títulos públicos, sugerindo que parte do aperto das condições financeiras já foi promovida pelo próprio mercado. Ainda assim, reforçou que, caso a inflação não desacelere, o Fed poderá voltar a elevar os juros: "Não hesitaremos em agir", disse.

## O que esperar da próxima reunião?

Antes da decisão, o mercado precificava cerca de 35% de probabilidade de 25 pontos-base, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group. Após o fechamento dos mercados regulares, a ferramenta apontava 63,4% de chance de o Fed elevar os juros em 0,25 ponto-base na próxima reunião. No dia anterior (28), a chance era de 76%, sendo 55,8% de alta de 0,25 ponto percentual e 20,2% de aumento de 0,50 ponto percentual.

Para o banco ING, os argumentos para uma alta eram claros: o Fed não atinge sua meta de inflação há cinco anos e, embora tenha havido progresso, os preços do petróleo continuam elevados em um mercado de trabalho apertado. James Knightley, economista-chefe internacional, e Chris Turner, líder global de Mercados do ING, avaliaram que "uma alta também serviria para reforçar o compromisso do novo presidente do Fed com o combate à inflação e ajudaria a ancorar os juros dos Treasuries de longo prazo".

André Valério, economista sênior do Inter, destacou que a dinâmica inflacionária até setembro será determinante. "Com a incerteza do conflito no Oriente Médio e o preço do petróleo rondando os US$ 100 por barril, podemos ver a inflação não ceder o suficiente, o que poderia levar mais membros do Fomc a votar por uma alta na próxima reunião."

## O que são os Treasuries?

Os Treasuries são os títulos da dívida do governo norte-americano, considerados o ativo mais seguro do mundo porque os EUA nunca deram calote na história. Ao comprar Treasuries, o investidor empresta dinheiro ao governo dos EUA com a perspectiva de receber retorno financeiro em um determinado período, a uma taxa negociada diariamente.

Assim como os títulos do Tesouro brasileiro, os Treasuries têm diferentes vencimentos. Os mais relevantes são os de 2 anos (mais sensível à política monetária), de 10 anos (referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito) e de 30 anos (referência para hipotecas de longo prazo).

As taxas, chamadas de yields (rendimentos), variam conforme a perspectiva dos investidores para a trajetória da taxa de juros dos EUA. Um ponto-base equivale a 0,01% do yield, e os rendimentos e os preços movem-se em direções opostas.

## Perguntas Frequentes

### O que fez o Treasury de 30 anos atingir máxima em 18 anos?

Após o Fed manter os juros inalterados pela quinta vez consecutiva, os rendimentos do Treasury de 30 anos subiram a 5,244%, maior nível desde julho de 2007. O movimento refletiu incertezas sobre a inflação e a credibilidade da política monetária.

### O Fed vai subir os juros em setembro?

Após a decisão, o mercado precificava 63,4% de chance de alta de 0,25 ponto-base. A dinâmica inflacionária até lá será determinante.

### Quem votou contra a manutenção dos juros?

Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorrie Logan defenderam uma alta de 25 pontos-base, marcando o maior dissenso desde setembro de 2016.

### O que o presidente do Fed disse sobre a inflação?

Kevin Warsh afirmou que o Fed não hesitará em agir se a inflação não desacelerar, mas destacou que parte do aperto já foi promovida pelo mercado.

### Como os Treasuries afetam o dólar?

Os títulos ajudam a estabelecer o valor do dólar no mercado internacional. Quando os rendimentos sobem, o dólar tende a se fortalecer.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/juros-longos-eua-atingem-maxima-18-anos-apos-fed-manter-juros-pela-5-vez-consecu/
