Os juros globais dispararam nesta terça-feira (1º) e renovaram máximas de décadas, em meio à reescalada das tensões no Oriente Médio. O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, atingiu 4,80%, o maior nível desde janeiro de 2025. No Japão, o rendimento dos títulos de 10 anos subiu a 3%, o maior patamar desde 1996. Na Europa, o Gilt britânico de 10 anos alcançou 5,2341%, o nível mais alto desde junho de 2008, enquanto o Bund alemão de 10 anos registrou nova máxima do ano a 3,3546%.
O fator comum por trás da disparada é a nova onda de ataques entre Estados Unidos e Irã, que impulsionou o petróleo Brent para US$ 94,65 o barril, alta de 4,6%, e reacendeu as preocupações com inflação às vésperas de decisões de política monetária. "Sem um caminho claro para a reabertura do Estreito após seis meses de guerra, as preocupações com a inflação permanecem elevadas", avaliam estrategistas do UBS BB. O banco projeta que os rendimentos dos Treasuries de 30 e 10 anos terminem o ano em 5% e 4,5%, respectivamente, e que a volatilidade persista no curto prazo.
Para o investidor brasileiro, o impacto vem por dois lados. No exterior, a alta dos juros americanos tende a pressionar o câmbio e a renda variável global. Aqui, na contramão, as taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em baixa, após o PIB do segundo trimestre mostrar retração no consumo das famílias. A economia brasileira cresceu 0,5% no trimestre, abaixo das expectativas, reforçando a percepção de que o Banco Central deve cortar a Selic, hoje em 14,00%. "Dá para continuar cortando devagarzinho, de forma gradual, com parcimônia", avaliou Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, destacando a fraqueza do consumo.
Para quem planeja o futuro da família, o cenário pede cautela e horizonte longo. A alta dos juros globais encarece o crédito e pode aumentar a volatilidade dos investimentos, mas também abre oportunidades em renda fixa com taxas atrativas. O DI para janeiro de 2035 marcava 14,5%, com recuo de 9 pontos-base. como investir em renda fixa Acompanhar as decisões do Fed e do Banco Central nos próximos meses será essencial para ajustar a estratégia. impacto da inflação nos investimentos