A curva de juros futuros cedeu em todos os vencimentos com o cenário eleitoral em foco. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, foi a única exceção: subiu 1 ponto-base e fechou perto da estabilidade, a 13,595%, ante 13,580% do fechamento anterior. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 13,810%, ante 13,625% do fechamento anterior, queda de 5 pontos-base. A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, recuou 11 pontos-base e terminou o dia a 14,120%, ante 14,230% do fechamento da última quarta-feira.
O mercado de títulos brasileiros destoou do desempenho dos Treasuries, os títulos do Tesouro norte-americano, que subiram com o aumento das preocupações com inflação após a disparada dos preços do petróleo e a recompra de títulos pelo Tesouro menor que o esperado pelo mercado. Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, operava a 4,586%, ante 4,427% do ajuste anterior. O retorno do título de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, subia para 4,961%, de 4,84% da última quarta-feira, no mesmo horário.
O cenário eleitoral ditou o movimento da curva dos juros, com as pesquisas apontando para uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno na disputa pela Presidência da República, o que reforçou a aposta dos investidores em uma troca de governo em 2027. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio com 46,4% das intenções de voto e Lula com 46,2%, numericamente empatados. A vantagem que era de 4,5 pontos porcentuais para Lula se transformou em uma vantagem numérica de 0,4 ponto para Flávio Bolsonaro, o que não ocorria desde o levantamento de 28 de abril. Como a margem de erro é de 1 ponto porcentual, Lula sai da liderança isolada pela reeleição para o empate técnico com o senador. Brancos e nulos e os eleitores que não souberam responder saíram de 10,3% para 7,4%.
Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, diz que o mercado está precificando uma expectativa crescente de vitória de Flávio e que também há sinais desse movimento no mercado preditivo.
Além da disputa eleitoral, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) seguiu no foco dos investidores. O cenário geopolítico também ficou no radar. Os houthis, alinhados ao Irã, assumiram o controle do porto iemenita de Mocha, o que representa uma ameaça adicional ao tráfego no Mar Vermelho. Já o tráfego no Estreito de Ormuz permaneceu restrito, devido à intensificação dos ataques a petroleiros na região nos últimos dias.