Juros futuros sobem na esteira dos Treasuries antes de IPCA e ata do Copom
A curva de juros brasileira abriu a semana em alta, puxada pelo movimento dos títulos do Tesouro dos EUA, em meio à retomada da tensão entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz. Nesta segunda-feira (10), os investidores ajustaram posições antes de uma agenda cheia: IPCA de julho e ata do Copom saem amanhã (11).
O que aconteceu com os juros futuros hoje
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou perto da estabilidade, a 13,740%, ante 13,745% do fechamento anterior.
Já a DI para janeiro de 2029, de médio prazo, subiu 6 pontos-base, para 14,100%, contra 14,035% da sessão passada. No longo prazo, o contrato para janeiro de 2036 avançou 11 pontos-base, encerrando a 14,515%, ante 14,405% da última sexta-feira (7).
Por que os Treasuries pressionam os juros brasileiros
Lá fora, o rendimento dos Treasuries subiu. Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do título de dois anos, mais sensível à política monetária, operava a 4,243%, ante 4,204% do ajuste anterior. O de dez anos, referência para financiamentos e dívidas de cartão, subia para 4,709%, de 4,658%.
Segundo Lais Costa, analista da Empiricus Research, "os mercados de juros e moedas globais estão reagindo principalmente à esticada dos preços de petróleo, na ausência de indicadores relevantes na agenda macroeconômica".
IPCA e ata do Copom: o que esperar
O mercado ficou em compasso de espera pela ata da última decisão do Copom, que cortou a Selic para 14% ao ano, e pelo IPCA de julho. Os dados saem nesta terça-feira (11) e devem ajudar a calibrar a aposta em novo corte na reunião de setembro.
Os economistas ouvidos pelo Banco Central reduziram pela sexta semana seguida a expectativa de inflação para dezembro, de 5,03% para 5,02%, segundo o Relatório Focus. A projeção para a Selic ficou em 13,75% e a do câmbio, em R$ 5,20.
O cenário nos EUA
Nos EUA, o CPI e o PPI saem na quarta (12) e quinta-feira (13). Os dados podem confirmar ou reverter o alívio dado pelo payroll fraco de julho às apostas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve em setembro.
Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 51,7% de chance de alta de 0,25 ponto percentual, ante 44,4% da sexta-feira. A probabilidade de manutenção na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano é de 48,3%.
O que isso significa para você
Se você tem dívidas atreladas a taxas de juros ou pensa em financiar um imóvel, a alta dos juros futuros pode encarecer essas operações. O movimento desta segunda reflete a cautela do mercado, e a leitura dos próximos dias será crucial para entender o rumo da Selic.
Perguntas Frequentes
O que são juros futuros?
São taxas negociadas em contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) que indicam a expectativa do mercado para a taxa de juros em uma data futura. Eles servem de referência para títulos e financiamentos.
Como os Treasuries afetam os juros brasileiros?
Quando os rendimentos dos títulos dos EUA sobem, investidores globais tendem a exigir prêmios maiores em mercados emergentes, pressionando as taxas locais para cima.
Quando sai o IPCA de julho?
O IBGE divulga o IPCA de julho nesta terça-feira (11), junto com a ata da última reunião do Copom.
O que é o Relatório Focus?
É uma pesquisa semanal do Banco Central com economistas de bancos e consultorias sobre projeções para inflação, juros e câmbio. A última edição reduziu a expectativa de IPCA para 5,02% em dezembro.
A Selic vai cair em setembro?
O mercado ajusta apostas após o IPCA e a ata. Na última decisão, o Copom cortou a Selic para 14% ao ano, e a próxima reunião é em setembro.
Lembre-se: juros futuros são voláteis e refletem expectativas. Não há garantia de retorno, e decisões de investimento devem considerar seu perfil e tolerância ao risco.
