# Juros futuros recuam com fatores domésticos no radar

> A curva de juros futuros brasileira registrou queda em todos os vencimentos nesta sexta-feira (4), com o DI para janeiro de 2036 recuando a 14,200%. O movimento refletiu a influência de pesquisas eleitorais e indicadores de atividade doméstica sobre as expectativas de política monetária. A redução das taxas ocorreu em meio à avaliação de fatores internos, sem impacto relevante de cenário externo.

*Viva Capital · Economia · 04 de setembro de 2026 · Henrique Salomão*

A curva de juros futuros recuou em todos os vencimentos nesta sexta-feira (4), com pesquisas eleitorais e dados de atividade no radar. DI para janeiro de 2036 caiu a 14,200%.

A curva de juros futuros recuou em todos os vencimentos nesta sexta-feira (4), destoando dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, durante a maior parte do pregão. O movimento foi guiado por fatores domésticos, com pesquisas eleitorais e sinais de desaceleração econômica no radar.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,575%, ante 13,567% do fechamento anterior, baixa de 12 pontos-base. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, fechou em 13,840%, ante 13,883% do ajuste anterior, recuo de mais de 4 pontos-base. O vencimento de longo prazo, DI para janeiro de 2036, cedeu 8,5 pontos-base e terminou o dia a 14,200%, ante 14,285% do fechamento da última quinta-feira (3).

Na avaliação de André Shiokawa, gestor de renda fixa e moedas da Asset1, a curva de DI negocia dois vetores principais: a desaceleração econômica, inclusive com preocupação em relação ao crédito, e o noticiário político. Para ele, as pesquisas eleitorais atuaram como principal driver para a curva a termo não só nesta sexta, mas ao longo da semana.

Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, nota que o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) é visto como um pouco mais fiscalista do que o atual governo. Por isso, quando as pesquisas mostram acirramento na disputa, há espaço para os juros caírem. A Pesquisa DataFolha mostrou na quinta-feira que a distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no segundo turno se reduziu de quatro para dois pontos porcentuais desde agosto. A Quaest também mostrou que a vantagem do petista caiu de três para um ponto porcentual, e a PoderData/Aya mostrou Flávio à frente de Lula, com 45% a 44%.

Além dos números de atividade desacelerando, Garcia cita a inflação corrente mais baixa e expectativas estáveis como fatores que ajudam a curva a termo. Nesta sexta, a XP Investimentos reduziu a projeção de crescimento do PIB brasileiro de 2026, de 2% para 1,7%, citando uma antecipação da desaceleração.

Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos operava a 4,391%, ante 4,334% do ajuste anterior, por volta de 18h05. O retorno do título de 10 anos subia para 4,784%, de 4,762%. Os Treasuries avançaram após o relatório de empregos mostrar crescimento acima das projeções: a economia dos EUA abriu 162 mil vagas em agosto, com desemprego estável em 4,1%, segundo o U.S. Bureau of Labor Statistics. Na ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de alta nos juros pelo Fed em setembro subiu de cerca de 50,4% para 58%.

Para Vinicius Flores, gestor e sócio da Stratton Capital, o payroll reforça uma economia forte e resiliente, que segue crescendo apesar de eventos como as tarifas de Donald Trump e o choque no preço do petróleo causado pela guerra no Irã. Para famílias que planejam financiamentos de longo prazo, a leitura é de cautela: juros domésticos em queda gradual podem aliviar o custo do crédito, mas o cenário externo ainda exige atenção.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/juros-futuros-recuam-fatores-domesticos-radar/
