Jaques Wagner diz que provará inocência, mas evita comentar investigação
O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, afirmou nesta sexta-feira (31) que provará sua inocência nas investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF), mas evitou dar explicações sobre o caso. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Baiana FM.
Segundo o parlamentar, seu advogado recomendou que ele não comentasse o mérito da apuração para preservar seu direito de defesa. "Por orientação dele, para eu não sair daqui e tomar bronca do meu advogado, ele pede para eu não falar", disse.
O que Jaques Wagner disse sobre a investigação
Na entrevista, Wagner declarou: "O inquérito, a investigação serve até para afastar a culpa. Então, eu tenho certeza que eu vou provar a minha inocência". Ele também afirmou que permanecerá focado na campanha eleitoral enquanto o caso é apurado.
"A Polícia Federal faça o seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público avalie, depois o magistrado vai julgar. Eu quero lhe dizer que eu estou muito tranquilo", afirmou.
Apoio de Lula e voto de André Mendonça
Questionado sobre o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Wagner disse que tem recebido respaldo do chefe do Executivo desde a deflagração da operação. Ele citou trecho do voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e disse estar tranquilo em relação às investigações.
Operação Compliance Zero: o que dizem os documentos
Relatório das investigações da PF que embasou a operação Compliance Zero contra Jaques Wagner apontou a existência de 74 ligações entre o senador e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, também alvo das apurações. De acordo com os documentos tornados públicos por André Mendonça, Wagner e Lima conversaram por cinco horas e trinta minutos nessas ligações.
A PF observa que o senador e o banqueiro tinham "nítida preferência" por conversas telefônicas, em vez de mensagens. Eles chegavam a se falar várias vezes no mesmo dia. Os diálogos compreendem o período de novembro de 2023 a maio de 2025.
Monitoramento autorizado e suspeita de vazamentos
Os documentos no processo mostram que Mendonça autorizou a PF a monitorar movimentos de celular de Jaques Wagner após a suspeita de vazamentos. O ministro citou que recebeu um pedido de audiência no seu gabinete no mesmo dia em que operação foi protocolada.
Pagamentos de propina e compra de apartamento
A investigação da PF apura pagamentos de propina do Banco Master para Jaques Wagner. A PF aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador usou o mesmo esquema da aquisição de imóveis de propina para o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.
Além disso, a PF identificou que o dono do Master, Daniel Vorcaro, marcou encontro com Wagner no Senado, disponibilizou avião "em hangar discreto" para o senador e citou em um diálogo que o senador seria um intermediário para mandar recado a Lula.
O que esperar do desdobramento
O caso segue em apuração. A PF deve concluir as investigações e encaminhar ao Ministério Público, que avaliará se há elementos para denúncia. O magistrado responsável decidirá sobre o mérito. Enquanto isso, Wagner diz que mantém foco na campanha eleitoral.
Para quem acompanha política e finanças, o caso envolve entidades como Banco Master e BRB, mas é cedo para conclusões. A defesa do senador ainda não apresentou manifestação sobre o mérito, conforme a orientação do advogado.
Perguntas Frequentes
Jaques Wagner é alvo de qual operação?
Jaques Wagner é alvo da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura pagamentos de propina do Banco Master para o senador.
Quantas ligações foram identificadas entre Wagner e Augusto Ferreira Lima?
A PF apontou 74 ligações entre o senador e o ex-sócio do Banco Master, totalizando cinco horas e trinta minutos de conversas.
O que Wagner disse sobre a investigação?
Wagner afirmou que provará sua inocência, mas evitou comentar o mérito por orientação do advogado. Ele disse estar tranquilo e citou o voto do ministro André Mendonça.
Qual o valor do apartamento citado na investigação?
A PF aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador usou o mesmo esquema de aquisição de imóveis de propina para o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
Lula declarou apoio a Wagner?
Wagner disse que tem recebido respaldo do presidente Lula desde a deflagração da operação, sem dar detalhes adicionais.