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Período úmido anima setor elétrico, mas há cautela

ResumoAs chuvas de setembro no Sudeste e Centro-Oeste sinalizam o início do período úmido e derrubam os preços da energia no mercado livre. Meteorologistas alertam que o cenário mais molhado pode não se manter durante todo o verão, exigindo cautela do setor elétrico.

As chuvas de setembro no Sudeste e Centro-Oeste sinalizam o período úmido e ajudam a derrubar os preços da energia no mercado livre. Meteorologistas, porém, alertam que o cenário mais molhado pode não durar todo o verão.

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Período úmido anima setor elétrico, mas há cautela
Foto: Viva Capital · Período úmido anima setor elétrico, mas há cautela · 13 set 2026

As chuvas registradas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste nos primeiros 10 dias de setembro, e as previstas até o fim do mês, indicam que está se configurando o período úmido nesse submercado, considerado a caixa d'água do setor elétrico brasileiro.

Do ponto de vista energético, as precipitações podem manter o nível dos reservatórios das hidrelétricas nessas localidades praticamente estáveis, em patamar considerado confortável até o fim do mês, o que ajuda a derrubar os preços da energia no mercado livre. Meteorologistas, no entanto, alertam que o cenário mais molhado pode não perdurar durante todo o verão.

Segundo o meteorologista da Climatempo Gustavo Verardo, o início da estação úmida será ainda mais úmido por causa do fenômeno El Niño, mas a irregularidade das chuvas aumenta à medida que o ano avança. O provável aumento dos dias sem chuvas nos próximos meses, especialmente no Sudeste e Centro-Oeste, associado às temperaturas mais elevadas em boa parte do País, pode impulsionar a carga mais para o fim do ano. Consequentemente, os preços da energia podem subir entre dezembro e o primeiro trimestre de 2027.

O head de Planejamento Energético da Tempo OK, Mateus Nunes, também prevê redução dos volumes de chuvas nos próximos meses no Sudeste/Centro-Oeste. Associada à seca prevista no Norte e Nordeste em função do El Niño, a redução deve acarretar aumento da complexidade de operação do sistema elétrico e maior volatilidade para os preços da energia. Ele descreve que setembro será bom, com a chuva pegando reservatórios do Sudeste, depois descendo em outubro para os reservatórios de fio d'água e, em novembro, ficando mais restrita à Bacia do Iguaçu, até a altura do estado do Paraná.

O sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, não sinaliza o mesmo pessimismo. Segundo ele, diferentes modelos de previsão climatológica apontam continuidade de chuvas no Sul, por causa do El Niño, mas também nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Nas projeções dele, São Paulo, o centro-sul de Minas Gerais, o Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul devem registrar chuvas acima do normal até dezembro.

O especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, Matheus Machado, explica que o mercado observa que a Energia Natural Afluente (ENA) de outubro está mais concentrada na bacia do Paraná. Cerca de 75% da ENA do Sudeste/Centro-Oeste em outubro está no Paraná, o que gera grande impacto no curto prazo pela capacidade de geração, mas, se houver interrupção nas chuvas em um mês, o preço volta a subir.

Por ora, o que se vê na plataforma de negociações BBCE são preços de energia em trajetória de queda. O valor do megawatt-hora para suprimento em setembro era negociado na quinta-feira na casa dos R$ 147 por megawatt-hora (MWh), patamar inferior ao verificado no fechamento da semana passada (4), de R$ 164/MWh. Para outubro, chega a R$ 162/MWh, ante os R$ 193/MWh do relatório semanal mais recente. A energia para dezembro estava na casa dos R$ 262 por MWh, também mais baixa que os R$ 273/MWh da sexta-feira passada. Já o contrato para o primeiro trimestre de 2027 foi negociado a R$ 288/MWh, perdendo o patamar de R$ 300 observado anteriormente.

“As chuvas de setembro no Sudeste e Centro-Oeste sinalizam o período úmido e ajudam a derrubar os preços da energia no mercado livre. Meteorologistas, porém, alertam que o cenário mais molhado pode não…”
Adriana Buarque · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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