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"Inflação é uma escolha": Warsh explica alta dos juros

ResumoKevin Warsh, presidente do Federal Reserve, afirmou que a inflação segue alta demais e defendeu que a alta dos juros é uma escolha de política monetária. O Fed elevou por unanimidade a taxa dos Fed Funds em 0,25 ponto, para 3,75% a 4% ao ano, citando três fatores por trás da decisão.

O Federal Reserve elevou por unanimidade a taxa dos Fed Funds em 0,25 ponto, para 3,75% a 4% ao ano. Na coletiva, Kevin Warsh afirmou que a inflação segue alta demais e explicou os três fatores por trás da decisão.

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"Inflação é uma escolha": Warsh explica alta dos juros
Foto: Viva Capital · "Inflação é uma escolha": Warsh explica alta dos juros · 16 set 2026

O Federal Reserve subiu os juros nesta quarta-feira (16). A decisão foi unânime dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) e elevou a taxa dos Fed Funds em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. No comunicado, o banco central afirmou que a atividade econômica segue avançando em ritmo sólido, enquanto a inflação permanece elevada.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, resumiu o incômodo na coletiva após a decisão. "O fato simples é que a inflação está alta demais e permanece assim há tempo demais", afirmou. "Inflação é uma escolha, e hoje demos um passo para entregar estabilidade de preços".

Três fatores explicam a mudança de postura em relação à reunião de julho, quando o Fed optou por manter os juros. Warsh elencou: o fortalecimento da economia norte-americana, a persistência da inflação e a mudança no cenário geopolítico.

"A economia, de fato, ganhou força. O crescimento subjacente está mais forte", disse. Sobre os preços, afirmou ter visto "muito pouca informação" desde Jackson Hole que justificasse mudar sua avaliação de que as tendências recentes ainda não eram satisfatórias. O terceiro elemento foi a geopolítica: segundo ele, "não há como ignorar os focos de tensão ao redor do mundo", e a avaliação do Comitê sobre os desdobramentos desse cenário mudou nas últimas semanas.

Em Jackson Hole, Warsh havia estabelecido um critério: seria preciso ter confiança de que a inflação subjacente caminhava clara e rapidamente para a meta de 2%. "Hoje, o Fomc decidiu que esse padrão não foi atendido", disse. Ele destacou que diversas categorias continuam com aumentos superiores a 3% nas janelas de seis e 12 meses, além da recente alta das commodities.

O outro lado da economia deu conforto para apertar a política monetária. Contratações, rendimentos do setor privado e investimentos de capital das empresas melhoraram nos últimos meses, e o fluxo de crédito segue robusto, especialmente para empresas. "Seria difícil para mim descrever as condições financeiras de forma ampla como restritivas", afirmou. Por isso, classificou a alta como a retirada de "uma dose de acomodação", não como um patamar claramente restritivo.

As novas projeções reforçaram a leitura de economia mais resistente. A mediana para o crescimento do PIB em 2026 passou de 2,2% para 2,3%, e a de 2027 subiu de 2,3% para 2,4%. A projeção de desemprego neste ano caiu de 4,3% para 4,1%. "O desemprego está basicamente rodando em um nível consistente com o pleno emprego", disse Warsh, que afirmou não acreditar que seja preciso prejudicar o mercado de trabalho para alcançar a meta de preços.

Apesar do tom duro, Warsh evitou sinalizar uma sequência de altas. "Eu não sou adepto de forward guidance", afirmou. "Não vou antecipar nenhuma decisão que possamos tomar no futuro." Ele reforçou a resistência a reagir a indicadores isolados: "As tendências importam. Dados isolados são ruidosos."

Warsh também lembrou que as pressões de preços não estão restritas aos Estados Unidos. Conversas recentes com representantes de outros bancos centrais, em Jackson Hole, na reunião do G20 e em uma conferência de bancos centrais, mostraram dificuldades semelhantes em outras economias. "Quando o Federal Reserve toma uma decisão de política monetária, ela importa não apenas para a economia dos Estados Unidos, mas também produz efeitos sobre o restante do mundo", disse, citando ainda "efeitos de transmissão e de retorno em ambas as direções".

Questionado sobre a independência do Fed diante das pressões do presidente Donald Trump por juros mais baixos, Warsh evitou detalhes sobre as conversas. "Não tenho nada a dizer sobre minhas conversas com o presidente", respondeu. Reforçou que o banco central deve se limitar às atribuições definidas pelo Congresso: "Parte da independência do Federal Reserve significa permanecermos dentro da nossa área de atuação. A independência é uma via de mão dupla". Para ele, política comercial e política fiscal devem ficar com as autoridades dessas áreas.

Sobre a leitura de que o mercado já precificava a alta, Warsh foi direto: "Às vezes, o mercado tenta antecipar nossas decisões. Eu observo os preços de mercado e vejo o que eles têm a dizer, mas a decisão de hoje foi nossa".

No Brasil, a inflação medida pelo IPCA registrou variação mensal de 0,88% em março de 2026 e desacelerou ao longo do ano, com 0,58% em maio, 0,16% em junho, 0,07% em julho e -0,32% em agosto, segundo dados do Banco Central. O quadro doméstico ajuda a comparar o ritmo de pressão de preços aqui e nos Estados Unidos, tema que costuma reaparecer nas decisões do Copom copom selic decisão.

A leitura que faço, como quem acompanha tributação e índices oficiais há anos, é que a frase de Warsh funciona como um recado técnico: a meta de 2% é o parâmetro, e o Fed trata o desvio como escolha de política, não como fatalidade. Para o investidor brasileiro com posição em renda fixa internacional, vale conferir o prazo e o indexador antes de qualquer movimento, porque a decisão de hoje não indica uma trajetória automática de altas.

“O Federal Reserve elevou por unanimidade a taxa dos Fed Funds em 0,25 ponto, para 3,75% a 4% ao ano. Na coletiva, Kevin Warsh afirmou que a inflação segue alta demais e explicou os três fatores por tr…”
Patrícia Mendonça · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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