Inflação surpreende e reforça aposta em corte da Selic; veja o que esperar do Copom, segundo a Lifetime
A prévia da inflação de julho abre espaço para novos cortes na taxa Selic, ainda que o Banco Central deva manter cautela diante das incertezas no cenário doméstico e externo. A avaliação é de Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, em entrevista ao programa Giro do Mercado, do Money Times, nesta terça-feira (28).
Resultado da inflação surpreende o mercado
Segundo Kawauti, o resultado veio muito abaixo das projeções do mercado e dá mais conforto para o BC manter a flexibilização monetária, sem renunciar à prudência diante das incertezas no cenário econômico global.
A economista destacou que o indicador mostrou uma desaceleração da inflação maior do que a esperada pelos analistas, principalmente devido à queda mais intensa dos preços de alimentos. "Quando esse grupo cai, ele puxa outros grupos da economia para baixo, como itens de bens finais", explicou.
Os dados oficiais mais recentes do IBGE mostram que o IPCA registrou variação de 0,16% em junho de 2026, após 0,58% em maio e 0,67% em abril. A trajetória de desaceleração reforça o movimento de alívio nos preços.
Projeção da Lifetime para o Copom em agosto
Apesar do cenário favorável, Kawauti avalia que o Banco Central não deve acelerar o ritmo de redução dos juros. A projeção da Lifetime é de um corte na Selic de 0,25 ponto percentual em agosto, levando a taxa para um ciclo gradual de redução dos juros.
Atualmente, a Selic meta está em 14,25% desde o início de agosto de 2026. "Nossa projeção para a Selic é de 13,5% a 13,75% ao final do ano. Existe um grande espaço para cortes na reunião de agosto, mas em 0,25 p.p. Não deve ser mais do que isso", esclareceu a especialista.
O papel do cenário externo nas decisões do BC
Kawauti justifica que a continuidade do movimento de cortes depende da evolução do cenário externo com a guerra no Oriente Médio. Para ela, se as negociações iniciadas nesta semana resultarem em maior estabilidade, com redução dos riscos para o petróleo e a abertura do estreito de Ormuz, o Banco Central poderá ganhar mais confiança para seguir reduzindo os juros nas reuniões seguintes.
"Ainda há espaços para cortes, mas o BC ainda enfrenta muita incerteza vinda do lado da guerra e da pressão doméstica em relação à inflação", reitera a economista.
Como a Selic afeta seus investimentos em renda fixa
Para quem investe em renda fixa, cada movimento da Selic altera diretamente o rendimento de produtos como Tesouro Direto, CDB e LCI. Quando a taxa cai, os títulos pós-fixados perdem rentabilidade, mas os prefixados e indexados à inflação podem se valorizar.
Se a Lifetime projeta Selic entre 13,5% e 13,75% ao final do ano, isso significa que ainda há espaço para rendimentos reais positivos em aplicações conservadoras. Um CDB que pague 100% do CDI, por exemplo, renderia cerca de 0,9% ao mês nesse cenário, valor ainda atrativo para quem busca segurança.
Perguntas Frequentes
O que é a prévia da inflação de julho?
É o IPCA-15, indicador que antecipa a tendência do índice oficial de inflação do mês. O resultado de julho veio abaixo das projeções do mercado, segundo a Lifetime.
Qual a projeção da Lifetime para a Selic em agosto?
A economista-chefe da Lifetime projeta um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Copom.
A Selic pode cair mais do que 0,25 p.p. em agosto?
Segundo Marcela Kawauti, não. Ela afirma que o corte deve ser de 0,25 p.p., sem aceleração no ritmo.
Como a guerra no Oriente Médio afeta a Selic?
O conflito gera incerteza sobre os preços do petróleo e a abertura do estreito de Ormuz, o que pode pressionar a inflação global e limitar os cortes de juros no Brasil.
O que esperar da Selic até o fim de 2026?
A Lifetime projeta a Selic entre 13,5% e 13,75% ao final do ano, com cortes graduais nas próximas reuniões do Copom.
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