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Indecisos se informam pouco sobre candidatos, diz BTG/Nexus

Pesquisa BTG/Nexus mostra que eleitores indecisos estão se informando pouco ou nada sobre candidatos. O dado preocupa em ano eleitoral e reforça a necessidade de engajamento cívico e fontes confiáveis de informação.

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Indecisos estão se informando pouco ou não estão se informando sobre candidatos, diz BTG/Nexus

Uma pesquisa recente do BTG Pactual em parceria com o Nexus, instituto de pesquisa e inteligência de mercado, revelou um dado que acende alerta em ano eleitoral: a maioria dos eleitores indecisos está se informando pouco ou simplesmente não está buscando informações sobre os candidatos. O levantamento, realizado entre os dias 10 e 14 de maio de 2026, ouviu 2.000 eleitores em todo o Brasil e mostra que, entre os 30% que ainda não definiram voto, 62% afirmaram não ter buscado ativamente informações sobre os concorrentes.

Segundo o BTG/Nexus, o perfil do indeciso brasileiro é majoritariamente jovem, entre 18 e 34 anos, e com menor escolaridade. Nesse grupo, o acesso a informações sobre propostas e histórico político é baixo, o que pode impactar a qualidade da escolha nas urnas. Especialistas apontam que a falta de informação entre indecisos não é nova, mas a dimensão do fenômeno em 2026 preocupa, especialmente com o crescimento de fake news e o uso de algoritmos que criam bolhas de desinformação.

Por que os indecisos não se informam?

A pesquisa também investigou as razões por trás da baixa busca por informações. Entre os indecisos que não se informam, 35% disseram que não confiam nas fontes disponíveis; 28% afirmaram falta de tempo; e 18% mencionaram desinteresse geral pela política. O dado sugere que não se trata apenas de preguiça cívica, mas de uma desconfiança estrutural nas instituições e na mídia tradicional.

Outro fator relevante é a sobrecarga de estímulos digitais. Segundo o IBGE, o brasileiro passa em média 3 horas e 20 minutos por dia em redes sociais. Esse tempo, em vez de ser usado para buscar informação qualificada, é consumido por conteúdos de entretenimento e algoritmos que raramente priorizam política de forma equilibrada.

O papel das redes sociais e da desinformação

As plataformas digitais são a principal fonte de informação para 57% dos brasileiros, de acordo com o DataSenado. No entanto, entre os indecisos, esse número sobe para 68%, e a confiança no que é compartilhado por amigos e influenciadores é baixa. Apenas 23% dos indecisos dizem confiar plenamente em informações políticas vindas de redes sociais.

Nesse ambiente, a desinformação encontra terreno fértil. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou, em 2024, um aumento de 40% no número de denúncias de fake news em relação ao pleito anterior. Se o indeciso não busca fontes oficiais, como os portais de cada candidato, o DivulgaCand ou sites de checagem, , fica exposto a versões distorcidas.

Como mudar esse cenário?

Nós, como sociedade, precisamos repensar a forma como a informação chega ao eleitor. Algumas iniciativas já mostram caminhos:

  • Campanhas de educação midiática: o projeto "Educação Midiática" do TSE, em parceria com o MEC, já alcançou 1,2 milhão de estudantes em 2025, ensinando a identificar fontes confiáveis.
  • Debates e sabatinas acessíveis: a transmissão ao vivo de debates em plataformas como YouTube e TikTok ampliou o alcance, mas é preciso que os indecisos sejam direcionados a esses conteúdos.
  • Curadoria de informações: aplicativos como o "Voto Consciente" agregam propostas de todos os candidatos de forma padronizada, facilitando a comparação. Segundo o desenvolvedor, o app teve 500 mil downloads em 2025.

como identificar fake news em época eleitoral

O que dizem os especialistas

Para o cientista político Jairo Nicolau, da FGV, "o fenômeno do indeciso desinformado é um sintoma de uma crise maior de representação política. Não basta que a informação exista; ela precisa ser relevante e acessível para quem não tem o hábito de buscá-la". Já a pesquisadora do Nexus, Marina Silva (homônima da política), afirma que "os dados mostram que campanhas tradicionais de rádio e TV têm menos impacto sobre os jovens indecisos do que conteúdos curtos em redes sociais".

Nós, que acompanhamos o cenário político há anos, sabemos que a falta de informação nunca é boa notícia para a democracia. O voto consciente exige esforço, e quem não se informa corre o risco de escolher baseado em emoção, aparência ou pressão social, e não em propostas concretas.

O que fazer se você é um indeciso

Se você ainda não decidiu seu voto, o primeiro passo é simples: escolha duas ou três fontes confiáveis e dedique 30 minutos por dia para ler ou assistir a conteúdos sobre os candidatos. Veja o plano de governo de cada um, assista a debates, consulte sites de checagem como Aos Fatos e Lupa. A informação está disponível, falta apenas buscá-la.

Perguntas Frequentes

A pesquisa BTG/Nexus é confiável?

Sim. O BTG Pactual é um dos maiores bancos de investimento do Brasil, e o Nexus é um instituto de pesquisa com metodologia reconhecida. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-01234/2026.

Quantos indecisos existem nas eleições de 2026?

Segundo a mesma pesquisa, 30% dos eleitores ainda não definiram voto para presidente. Esse número é similar ao de 2022, quando 28% estavam indecisos a dois meses do pleito.

O que é o DivulgaCand?

É o sistema do TSE que reúne informações oficiais de todos os candidatos, incluindo propostas de governo, bens declarados e histórico político. Pode ser acessado gratuitamente.

Como identificar fake news sobre candidatos?

Desconfie de mensagens sem fonte, com tom alarmista ou que pedem compartilhamento imediato. Consulte sites de checagem como Aos Fatos, Lupa e o próprio Fato ou Fake do TSE.

Por que os jovens são mais indecisos?

A pesquisa BTG/Nexus aponta que 45% dos jovens de 18 a 24 anos estão indecisos, contra 22% dos eleitores acima de 55 anos. A principal razão é a baixa confiança nas instituições políticas e a percepção de que o voto não faz diferença.

“Pesquisa BTG/Nexus mostra que eleitores indecisos estão se informando pouco ou nada sobre candidatos. O dado preocupa em ano eleitoral e reforça a necessidade de engajamento cívico e fontes confiáveis…”
Henrique Salomão · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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