# Indecisos se informam pouco sobre candidatos, diz BTG/Nexus

> Pesquisa BTG/Nexus mostra que eleitores indecisos estão se informando pouco ou nada sobre candidatos. O dado preocupa em ano eleitoral e reforça a necessidade de engajamento cívico e fontes confiáveis de informação.

*Viva Capital · Economia · 30 de junho de 2026 · Henrique Salomão*

## Indecisos estão se informando pouco ou não estão se informando sobre candidatos, diz BTG/Nexus

Uma pesquisa recente do BTG Pactual em parceria com o Nexus, instituto de pesquisa e inteligência de mercado, revelou um dado que acende alerta em ano eleitoral: a maioria dos eleitores indecisos está se informando pouco ou simplesmente não está buscando informações sobre os candidatos. O levantamento, realizado entre os dias 10 e 14 de maio de 2026, ouviu 2.000 eleitores em todo o Brasil e mostra que, entre os 30% que ainda não definiram voto, 62% afirmaram não ter buscado ativamente informações sobre os concorrentes.

Segundo o BTG/Nexus, o perfil do indeciso brasileiro é majoritariamente jovem, entre 18 e 34 anos, e com menor escolaridade. Nesse grupo, o acesso a informações sobre propostas e histórico político é baixo, o que pode impactar a qualidade da escolha nas urnas. Especialistas apontam que a falta de informação entre indecisos não é nova, mas a dimensão do fenômeno em 2026 preocupa, especialmente com o crescimento de fake news e o uso de algoritmos que criam bolhas de desinformação.

## Por que os indecisos não se informam?

A pesquisa também investigou as razões por trás da baixa busca por informações. Entre os indecisos que não se informam, 35% disseram que não confiam nas fontes disponíveis; 28% afirmaram falta de tempo; e 18% mencionaram desinteresse geral pela política. O dado sugere que não se trata apenas de preguiça cívica, mas de uma desconfiança estrutural nas instituições e na mídia tradicional.

Outro fator relevante é a sobrecarga de estímulos digitais. Segundo o IBGE, o brasileiro passa em média 3 horas e 20 minutos por dia em redes sociais. Esse tempo, em vez de ser usado para buscar informação qualificada, é consumido por conteúdos de entretenimento e algoritmos que raramente priorizam política de forma equilibrada.

## O papel das redes sociais e da desinformação

As plataformas digitais são a principal fonte de informação para 57% dos brasileiros, de acordo com o DataSenado. No entanto, entre os indecisos, esse número sobe para 68%, e a confiança no que é compartilhado por amigos e influenciadores é baixa. Apenas 23% dos indecisos dizem confiar plenamente em informações políticas vindas de redes sociais.

Nesse ambiente, a desinformação encontra terreno fértil. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou, em 2024, um aumento de 40% no número de denúncias de fake news em relação ao pleito anterior. Se o indeciso não busca fontes oficiais, como os portais de cada candidato, o DivulgaCand ou sites de checagem, , fica exposto a versões distorcidas.

## Como mudar esse cenário?

Nós, como sociedade, precisamos repensar a forma como a informação chega ao eleitor. Algumas iniciativas já mostram caminhos:

- Campanhas de educação midiática: o projeto "Educação Midiática" do TSE, em parceria com o MEC, já alcançou 1,2 milhão de estudantes em 2025, ensinando a identificar fontes confiáveis.
- Debates e sabatinas acessíveis: a transmissão ao vivo de debates em plataformas como YouTube e TikTok ampliou o alcance, mas é preciso que os indecisos sejam direcionados a esses conteúdos.
- Curadoria de informações: aplicativos como o "Voto Consciente" agregam propostas de todos os candidatos de forma padronizada, facilitando a comparação. Segundo o desenvolvedor, o app teve 500 mil downloads em 2025.

como identificar fake news em época eleitoral

## O que dizem os especialistas

Para o cientista político Jairo Nicolau, da FGV, "o fenômeno do indeciso desinformado é um sintoma de uma crise maior de representação política. Não basta que a informação exista; ela precisa ser relevante e acessível para quem não tem o hábito de buscá-la". Já a pesquisadora do Nexus, Marina Silva (homônima da política), afirma que "os dados mostram que campanhas tradicionais de rádio e TV têm menos impacto sobre os jovens indecisos do que conteúdos curtos em redes sociais".

Nós, que acompanhamos o cenário político há anos, sabemos que a falta de informação nunca é boa notícia para a democracia. O voto consciente exige esforço, e quem não se informa corre o risco de escolher baseado em emoção, aparência ou pressão social, e não em propostas concretas.

## O que fazer se você é um indeciso

Se você ainda não decidiu seu voto, o primeiro passo é simples: escolha duas ou três fontes confiáveis e dedique 30 minutos por dia para ler ou assistir a conteúdos sobre os candidatos. Veja o plano de governo de cada um, assista a debates, consulte sites de checagem como Aos Fatos e Lupa. A informação está disponível, falta apenas buscá-la.

## Perguntas Frequentes

### A pesquisa BTG/Nexus é confiável?

Sim. O BTG Pactual é um dos maiores bancos de investimento do Brasil, e o Nexus é um instituto de pesquisa com metodologia reconhecida. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-01234/2026.

### Quantos indecisos existem nas eleições de 2026?

Segundo a mesma pesquisa, 30% dos eleitores ainda não definiram voto para presidente. Esse número é similar ao de 2022, quando 28% estavam indecisos a dois meses do pleito.

### O que é o DivulgaCand?

É o sistema do TSE que reúne informações oficiais de todos os candidatos, incluindo propostas de governo, bens declarados e histórico político. Pode ser acessado gratuitamente.

### Como identificar fake news sobre candidatos?

Desconfie de mensagens sem fonte, com tom alarmista ou que pedem compartilhamento imediato. Consulte sites de checagem como Aos Fatos, Lupa e o próprio Fato ou Fake do TSE.

### Por que os jovens são mais indecisos?

A pesquisa BTG/Nexus aponta que 45% dos jovens de 18 a 24 anos estão indecisos, contra 22% dos eleitores acima de 55 anos. A principal razão é a baixa confiança nas instituições políticas e a percepção de que o voto não faz diferença.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/indecisos-estao-se-informando-pouco-ou-nao-estao-se-informando-sobre-candidatos-/
