O Índice Geral de Expectativas (IGet) revelou que as vendas no varejo caíram 1,2% em junho de 2026 na comparação com maio, enquanto a atividade de serviços encolheu 0,8% no mesmo período, segundo dados oficiais do IBGE. A retração sinaliza desaceleração da economia brasileira no segundo trimestre, com impacto direto no consumo das famílias e no setor terciário.
O varejo brasileiro registrou queda de 1,2% nas vendas em junho de 2026 ante maio, conforme a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. O resultado interrompe dois meses consecutivos de alta e volta a patamar de março de 2026. No acumulado do primeiro semestre, as vendas sobem 0,5%, mas o ritmo desacelera. A retração foi puxada por hipermercados (-2,1%), móveis e eletrodomésticos (-3,4%) e vestuário (-1,8%). A única alta veio de combustíveis e lubrificantes (+0,3%), influenciada pelo reajuste nos preços da gasolina.
A atividade de serviços encolheu 0,8% em junho, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE. O recuo atinge todos os cinco segmentos monitorados: serviços prestados às famílias (-1,5%), informação e comunicação (-0,9%), transportes (-0,7%), serviços profissionais e administrativos (-0,6%) e outros serviços (-0,4%). No acumulado em 12 meses, o setor cresce 1,2%, bem abaixo dos 3,8% registrados em dezembro de 2025.
O que explica a queda nas vendas do varejo?
A combinação de juros altos e inflação persistente comprime o poder de compra das famílias. A taxa Selic encerrou junho em 14,25% ao ano, patamar que encarece o crédito e desestimula o consumo de bens duráveis (Banco Central, ata do Copom, jun/2026). O endividamento das famílias atingiu 48,7% da renda anual em maio, segundo a CNC, o maior nível desde 2022.
Além disso, a inflação acumulada em 12 meses fechou junho em 4,5%, acima do centro da meta de 3% (IPCA, IBGE, jun/2026). Itens como alimentos (5,2%) e transportes (6,1%) pressionam o orçamento doméstico, reduzindo a margem para gastos discricionários.
Atividade de serviços: setor terciário sente a demanda fraca
O encolhimento de 0,8% nos serviços reflete a menor procura por atividades presenciais e digitais. Os serviços prestados às famílias, que incluem restaurantes e hotéis, caíram 1,5%, influenciados pelo fim do efeito-safra de turismo no segundo trimestre. O segmento de informação e comunicação recuou 0,9%, com queda na demanda por planos de internet e streaming.
O setor de transportes perdeu 0,7%, puxado pelo recuo no transporte rodoviário de cargas e no transporte aéreo de passageiros. Dados da ANTT indicam que o volume de cargas transportadas em junho foi 2,3% menor que em maio. A retração sinaliza que a indústria e o comércio estão reduzindo seus estoques.
Impactos para o consumidor e o investidor
Para quem está no mercado de trabalho, a desaceleração dos serviços pode pressionar a geração de empregos formais. O Caged registrou saldo líquido de 98 mil vagas em junho, o menor para o mês desde 2021 (Ministério do Trabalho, Caged, jun/2026). Setores como restaurantes e transporte, que mais contratam, estão entre os que mais encolheram.
Para investidores, o cenário reforça a expectativa de que o Banco Central mantenha a Selic em 14,25% ao ano na reunião de agosto, sem espaço para cortes. A ata do Copom de junho destacou que a atividade econômica está desacelerando, mas a inflação de serviços ainda preocupa.
Como a queda no varejo e serviços afeta o PIB?
O varejo e os serviços respondem por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A retração simultânea nesses dois setores em junho sugere que o PIB do segundo trimestre pode vir próximo de zero ou negativo. O IBC-Br, indicador do Banco Central, recuou 0,3% em maio, e a tendência para junho é de nova queda.
Se confirmado, o PIB do segundo trimestre de 2026 pode registrar contração de 0,1% a 0,3% ante o trimestre anterior (mediana das projeções do Focus, BC, jul/2026). Isso configuraria uma recessão técnica, caso o terceiro trimestre também seja negativo.
Medidas do governo e perspectivas
O governo federal anunciou em julho a liberação de R$ 15 bilhões do FGTS para trabalhadores com contas ativas, como forma de injetar liquidez na economia saque-aniversário FGTS. A medida pode aliviar o consumo no curto prazo, mas não ataca as causas estruturais da desaceleração.
O mercado financeiro projeta crescimento de 1,8% para o PIB de 2026, abaixo dos 2,9% de 2025 (Focus, BC, jul/2026). A recuperação depende de queda da inflação e de cortes na Selic, que devem ocorrer apenas no quarto trimestre, segundo a maioria dos analistas.
Perguntas Frequentes
O que é o IGet?
O IGet (Índice Geral de Expectativas) é um indicador composto que mede a confiança de consumidores e empresários, usado para antecipar tendências do varejo e serviços.
Quanto o varejo caiu em junho de 2026?
As vendas no varejo caíram 1,2% em junho ante maio, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.
A atividade de serviços encolheu em junho?
Sim, a atividade de serviços recuou 0,8% em junho de 2026 na comparação com maio (PMS, IBGE).
O que causou a queda nas vendas do varejo?
Juros altos (Selic a 14,25%), inflação de 4,5% em 12 meses e endividamento recorde das famílias (48,7% da renda) comprimiram o consumo.
A economia brasileira pode entrar em recessão?
Se o PIB do segundo trimestre de 2026 for negativo, e o terceiro também, configuraria recessão técnica. Projeções indicam contração de 0,1% a 0,3% no segundo trimestre (Focus, BC).
O que esperar para os próximos meses?
A expectativa é de Selic estável em 14,25% até o quarto trimestre, com inflação recuando lentamente. O consumo pode se recuperar com a liberação do FGTS, mas o cenário segue incerto FGTS saque-aniversário.
