O Ibovespa futuro (INDFUT) abriu o pregão desta quarta-feira (9) em queda de 0,21%, aos 189.630 pontos, pressionado pela escalada de tensões no Oriente Médio e pelo barril do petróleo acima de US$ 100, no maior nível desde julho. Na contramão, o dólar à vista subia 0,12%, a R$ 5,0917, enquanto o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,13%, aos 98.662 pontos, por volta de 9h (horário de Brasília). Na véspera, o dólar PTAX de venda fechou em R$ 5,0856, segundo o Banco Central.
"O mercado está bastante complexo, com muita volatilidade, e o investidor geral está operando muito no curto prazo. Lá fora, o mercado está operando em função das notícias relacionadas ao cenário geopolítico. Por aqui, o cenário eleitoral é o principal driver", afirma Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital.
Para o Bradesco BBI, os ativos locais podem passar por ajustes e realização de lucros na sessão, embora a alta do petróleo e uma nova pesquisa eleitoral possam trazer contornos distintos, após o rali de ontem com dólar em queda, curva de juros abaixo de 14% e Ibovespa em alta.
O cenário geopolítico segue como principal foco, com a escalada entre Irã e Estados Unidos. Mais cedo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado 10 navios petroleiros, após os EUA anunciarem ter destruído cinco navios iranianos. É a maior onda declarada de ataques recíprocos na via marítima desde o início da guerra, que já dura seis meses.
Nos preços do petróleo, o Bank of America (BofA) projeta o Brent a US$ 82 por barril no segundo semestre e a US$ 75 em 2027, citando interrupções no Estreito de Ormuz. Já o Goldman Sachs vê o barril a US$ 120 no curto prazo, com cenário-base de US$ 85 neste ano e US$ 80 no próximo.
No exterior, Wall Street opera em queda: S&P futuro caía 0,33%, Dow futuro recuava 0,62% e Nasdaq futuro tinha baixa de 0,45%. Por aqui, a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) segue no radar, assim como a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Para Rafael Passos, analista e sócio da Ajax Asset, os eventos recentes no STF têm leitura negativa para o atual governo. "A percepção é que os acontecimentos envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro, STF e diferentes agentes políticos têm maior proximidade do governo", avaliou.
Em resumo: o pregão combina petróleo caro, tensão geopolítica e ruído político doméstico. Quem opera curto prazo precisa de cautela redobrada, dado o cenário volátil descrito pelas casas. análise de mercados hoje