Hidrelétricas estão no topo da agenda de crescimento da Copel, diz CEO
A Copel quer colocar as hidrelétricas no centro da sua estratégia de crescimento. O CEO Daniel Slaviero afirmou, em teleconferência sobre resultados trimestrais, que oportunidades ligadas a ativos hidrelétricos estão no topo da agenda de alocação de capital da companhia.
O que a Copel quer: novas licitações para concessões de hidrelétricas que vencem nos próximos anos, ampliação de capacidade de usinas existentes e projetos de usinas hídricas reversíveis.
Por que a Copel defende novas licitações para hidrelétricas?
Slaviero explicou que a empresa está defendendo junto ao governo federal a abertura de processos competitivos para as concessões vincendas. A ideia é evitar a prorrogação antecipada para os atuais concessionários mediante pagamento de bônus de outorga.
Segundo o CEO, processos competitivos trazem mais benefícios para a União, para o poder concedente e para o fiscal. Ele citou exemplos de outros setores: rodovias como Fernão Dias e Régis Bittencourt passaram por repactuação e abertura ao mercado competitivo, seguindo diretriz do TCU. "A gente acha pouco provável que haja interpretação diferente para concessões do setor elétrico."
Quase 20 GW em concessões vencendo: o que isso significa?
O governo contabiliza quase 20 GW de contratos de hidrelétricas vencendo nos próximos anos, principalmente a partir de 2030. Esse volume representa uma fatia relevante da capacidade instalada do país.
A discussão em curso envolve aprimoramentos contratuais para que os empreendimentos tragam mais flexibilidade ao sistema elétrico nacional. Para o consumidor, isso pode significar um sistema mais estável e com melhor aproveitamento dos recursos hídricos.
E as fusões e aquisições (M&A)?
Sobre oportunidades de M&A, Slaviero foi direto: não há nada concreto na carteira da empresa ou em fase avançada de estudos. "Não vimos nenhum ativo no mercado que valha aprofundamento da nossa parte."
Isso indica que a Copel prefere focar em crescimento orgânico via licitações do que em compras de ativos no momento.
O que isso muda para o consumidor de energia?
A posição da Copel pode influenciar a forma como as concessões hidrelétricas serão renovadas no Brasil. Se a tese de processos competitivos vencer, o mercado pode ficar mais disputado, com potencial impacto na modicidade tarifária.
Vale lembrar que hidrelétricas são a base da matriz elétrica brasileira por serem uma fonte de energia mais barata e previsível. Decisões sobre essas concessões afetam diretamente a conta de luz no longo prazo.
Contexto macro: Selic em 14%
A decisão da Copel acontece em um cenário de juros altos, com a Selic em 14% ao ano. Isso encarece o custo de capital para projetos de infraestrutura e torna a alocação de capital ainda mais criteriosa.
Para a Copel, isso significa que cada real investido precisa ser muito bem avaliado, o que explica o foco em ativos com retorno previsível como hidrelétricas.
Perguntas Frequentes
O que são usinas hídricas reversíveis?
São usinas que funcionam como uma bateria: bombeiam água para um reservatório superior em momentos de sobra de energia e geram eletricidade quando há demanda. Elas ajudam a dar flexibilidade ao sistema elétrico.
O que significa relicitação de concessões?
É o processo de devolver uma concessão ao poder concedente e abrir nova licitação para que outros interessados possam disputar o direito de operar o ativo.
A Copel planeja comprar outras empresas?
Segundo o CEO, não há nada concreto em estudo. A empresa não viu nenhum ativo no mercado que justifique aprofundamento.
Como isso afeta o preço da energia?
Processos competitivos podem trazer mais eficiência e reduzir custos, o que pode se refletir na tarifa. Mas não há garantia de impacto imediato.
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