O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira (28) que o eleitor que prefere Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Estado, mas Lula (PT) no nacional, quer "escapar" de votar em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente. Para Haddad, mesmo que o fenômeno custe votos à sua campanha, a rejeição a Flávio deve ser celebrada.
Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostra que 11% dos eleitores paulistas que votarão em Lula também declaram intenção de voto em Tarcísio para o governo. O fenômeno ganhou o nome de "voto TarLula".
"Acho que a leitura que está sendo feita é cientificamente equivocada", afirmou Haddad, após agenda na zona Leste de São Paulo. "Na verdade, existe muita rejeição ao Flávio. Então é um voto que procura o Lula. Não é um voto que está procurando o Tarcísio. É um voto que está procurando Lula para escapar do Flávio."
O petista vê o movimento como motivo de celebração. "O paulista pode estar procurando uma alternativa ao Flávio. Isso é motivo de celebração pra mim. Entender que o Flávio não tem a menor condição de presidir a República", completou.
Haddad voltou a classificar Flávio Bolsonaro como risco institucional e cobrou explicações éticas. "É um candidato a presidente com a maior capivara da história da República. É um cara que não explicou nada do patrimônio dele: os imóveis que comprou com o dinheiro da loja de chocolate; as rachadinhas, a mansão que comprou com dinheiro do Banco BRB e a relação com o Banco Master."
Para nós, que acompanhamos o cenário eleitoral, o voto TarLula revela menos sobre Tarcísio e mais sobre o desconforto com Flávio. Planejar o futuro do país passa por entender essas escolhas, que definem os rumos da economia e da política nos próximos anos.