# Guerra EUA-Israel-Irã completa 6 meses; Trump previa semanas

> A guerra EUA-Israel-Irã completa seis meses em 28 de março, superando a previsão inicial de Donald Trump de duração de semanas. O conflito, iniciado com ataques coordenados, agora prioriza a Operação Economic Outcast, estratégia de pressão econômica sobre o Irã. A mudança tática reflete o prolongamento das hostilidades e a reavaliação dos objetivos militares americanos e israelenses.

*Viva Capital · Economia · 28 de agosto de 2026 · Thiago Vasques*

A guerra de EUA e Israel contra o Irã completa seis meses nesta sexta-feira, 28, superando a previsão inicial de Trump, que agora prioriza pressão econômica com a Operação Economic Outcast.

A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã completa seis meses nesta sexta-feira, 28, bem além das poucas semanas previstas pelo presidente americano, Donald Trump. Ele agora afirma não ter pressa para encerrar o conflito, sinalizando uma mudança de estratégia, com maior foco em pressão econômica sobre Teerã.

Nesta semana, o governo Trump anunciou a Operação Economic Outcast, que busca ampliar o isolamento econômico do Irã e ameaça punir países e entidades que continuarem fazendo negócios com Teerã. A mudança ocorre enquanto Washington avalia reduzir estoques de munições após meses de conflito, em meio a preocupações de que a guerra prolongada afete a prontidão militar americana em outras regiões.

Trump sustenta que a campanha já devastou a liderança, as Forças Armadas e a economia iranianas. Eles não estão pagando suas tropas. Estão em sérios problemas. Têm muito pouca capacidade, disse ontem. Não queremos falar com eles. Não estamos buscando uma reunião nem nada. A postura contrasta com as previsões iniciais do republicano. Nesta semana, Trump compartilhou nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial (IA) com a frase missão cumprida. O conflito já custou mais de US$ 37,5 bilhões aos EUA.

Autoridades iranianas estimam em US$ 270 bilhões os danos diretos e indiretos sofridos pelo país. Ataques israelenses nas primeiras semanas atingiram grande parte da estrutura de liderança do governo, incluindo o então líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, morto no início da guerra.

Apesar das perdas, o Irã mantém importante fonte de pressão no Estreito de Ormuz. Trump voltou a afirmar na quinta-feira, 27, que a passagem está aberta e disse que 24 embarcações haviam atravessado o local no dia anterior. O movimento permanece muito abaixo dos cerca de 130 navios que cruzavam diariamente a rota antes da guerra.

Catar e Paquistão continuam buscando saída diplomática. O primeiro-ministro catariano, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, esteve ontem em Teerã para discutir uma proposta entre Irã e Omã para ampliar o tráfego pelo estreito. Trump tem demonstrado pouco interesse em retomar o acordo preliminar de junho, que previa reabertura de Ormuz e negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas desmoronou semanas depois.

O presidente americano argumenta que o bloqueio naval e a pressão econômica estão funcionando. Temos o controle e temos o bloqueio. O Irã não está recebendo nada. Nada está passando, afirmou.

Analistas divergem sobre a eficácia da estratégia. Aarathi Krishnan, da RAKSHA Intelligence Future, avalia que Washington pode subestimar a resistência de Teerã, que passou décadas se adaptando a sanções por meio da venda de petróleo com desconto e redes pouco transparentes de transporte e financiamento. Este governo subestimou completamente a determinação iraniana, disse.

Já Richard Goldberg, ex-assessor para o Irã no Conselho de Segurança Nacional no primeiro mandato de Trump, avalia que Teerã pode entrar em águas desconhecidas caso Washington imponha campanha mais dura contra seus parceiros comerciais.

Até agora, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou advertências para que países reduzam o comércio com o Irã, sem divulgar sanções secundárias. A China, maior parceira comercial e compradora de petróleo iraniano, reagiu afirmando ser contrária a sanções unilaterais ilegais. Questionado se poderia sancionar bancos chineses, Trump respondeu: Quem disse que não estou fazendo isso? Vocês não sabem se estou. Não preciso anunciar tudo, preciso?

---

Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/guerra-eua-israel-contra-ira-completa-6-meses-trump-previa-conflito-poucas-seman/
