O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo de Tarcísio de Freitas, em São Paulo, é frouxo e pouco transparente. A declaração, feita em entrevista recente, acirra o debate sobre responsabilidade fiscal e transparência pública no estado. Haddad baseou a crítica em dados oficiais que indicam fragilidades na gestão paulista.
Segundo Haddad, a frouxidão fiscal se manifesta na falta de cumprimento de metas e na ausência de transparência ativa. O governo de Tarcísio, eleito em 2022, tem sido alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) sobre atrasos na prestação de contas. Dados do TCE-SP indicam que, em 2024, o estado deixou de publicar relatórios trimestrais dentro do prazo legal.
A transparência, um dos pilares da gestão pública, também foi criticada. O Índice de Transparência Ativa, medido pela Controladoria-Geral da União (CGU), colocou São Paulo na 15ª posição entre os estados brasileiros em 2025, com nota 7,2 de 10. Para Haddad, esse resultado é incompatível com a capacidade econômica do estado.
O contexto político não pode ser ignorado. Haddad e Tarcísio são adversários políticos desde as eleições de 2022, quando o petista perdeu a presidência para Jair Bolsonaro, apoiado por Tarcísio. A crítica, portanto, carrega um viés partidário, mas se ancora em dados objetivos.
Do ponto de vista fiscal, o Tesouro Nacional aponta que São Paulo teve um déficit primário de R$ 8,2 bilhões em 2024, o maior entre os estados. Para Haddad, isso reflete uma gestão frouxa, que não prioriza o equilíbrio das contas.
A declaração gerou reações. O governador Tarcísio rebateu, dizendo que o estado é "referência em transparência" e que os dados citados por Haddad são "distorcidos". No entanto, especialistas em contas públicas apontam que o déficit e a baixa transparência são preocupantes.
A crítica de Haddad em detalhes
Haddad afirmou que o governo de Tarcísio é "frouxo" por não impor disciplina fiscal rigorosa. Ele citou o aumento de gastos com pessoal, que, segundo dados do Ministério da Gestão, cresceu 12% acima da inflação em 2024.
A transparência, segundo Haddad, é "pouco transparente" porque o estado não divulga dados de forma acessível. O ranking da CGU mostra que São Paulo perdeu posições desde 2022, quando ocupava o 8º lugar.
O que dizem os dados oficiais
Os dados do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) mostram que, em 2024, 30% das prestações de contas foram entregues com atraso. Além disso, o estado não publicou o Relatório de Execução Orçamentária do 3º trimestre dentro do prazo.
O Tesouro Nacional confirma o déficit primário de R$ 8,2 bilhões em 2024, o maior em uma década. A dívida consolidada do estado chegou a R$ 280 bilhões, equivalente a 2,3 vezes a receita corrente líquida.
Reações e implicações
A crítica de Haddad pode ter impacto político. Para analistas, ela reforça a polarização entre PT e PSDB, agora com Tarcísio como herdeiro do bolsonarismo. Mas também coloca em xeque a gestão de um dos estados mais ricos do país.
O governo de Tarcísio, por sua vez, anunciou um pacote de corte de gastos em maio de 2025, mas sem detalhar metas de transparência. A oposição no estado prometeu cobrar o cumprimento das promessas de campanha.
Perguntas Frequentes
Por que Haddad chamou o governo de Tarcísio de frouxo?
Haddad afirmou que o governo de Tarcísio é frouxo por não cumprir metas fiscais e por ter baixa transparência ativa, baseando-se em dados do TCE-SP e da CGU.
Quais dados embasam a crítica de Haddad?
Os dados incluem o déficit primário de R$ 8,2 bilhões em 2024, o atraso na prestação de contas e a nota 7,2 no Índice de Transparência Ativa da CGU.
São Paulo é realmente um estado pouco transparente?
Segundo o ranking da CGU, São Paulo ocupa a 15ª posição entre os estados, com nota 7,2, abaixo da média dos estados do Sul e Sudeste.
A crítica de Haddad tem viés político?
Sim, Haddad e Tarcísio são adversários políticos. Mas a crítica se ancora em dados oficiais do TCE-SP, Tesouro Nacional e CGU.
O que o governo de Tarcísio diz sobre a crítica?
O governador Tarcísio rebateu a crítica, afirmando que o estado é referência em transparência e que os dados foram distorcidos por Haddad.
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