O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta quinta-feira (30), uma resolução que autoriza o uso de gasodutos da Petrobras para escoar o gás natural da União, produzido no pré-sal. A medida visa comercializar o combustível em leilões com venda direta a grandes consumidores, como termelétricas e indústrias.
Segundo o governo, o objetivo é aumentar a oferta de gás natural no mercado e, com isso, reduzir o preço do combustível. A estimativa do Ministério de Minas e Energia (MME) é que o valor do gás para grandes consumidores caia 50%.
O CNPE, conselho formado por ministros do governo, alterou a Resolução CNPE nº 15, de 29 de outubro de 2018, reestruturando a política de comercialização de gás natural da União. O MME informou que há um leilão previsto para o último bimestre deste ano, além de outros leilões até 2030 e mesmo depois.
O ministro do MME, Alexandre Silveira, que preside o CNPE, afirmou que a nova resolução será capaz de reduzir o valor do combustível para as indústrias de base no Brasil.
"Para que nossas infraestruturas sejam melhor utilizadas a favor do Brasil e para que a gente tenha gás mais barato, vamos começar com o gás da União. Mas eu espero que outras fontes venham para aumentar a oferta do gás e minimizar o sofrimento da nossa indústria", disse Silveira.
O Grupo de Trabalho do Programa Gás para Empregar (GT-GE), criado pelo CNPE, estima que a resolução deve reduzir o valor do gás natural de US$ 12 por milhão de BTU para US$ 5 por milhão de BTU.
Como funcionam os leilões de gás da União
Pela resolução, os leilões serão conduzidos pela Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural - Pré-Sal Petróleo (PPSA). Ainda segundo o MME, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ficará responsável por definir o valor pago à Petrobras pelo uso do gasoduto da companhia.
A Agência Brasil procurou a Petrobras para manifestação sobre a mudança aprovada no CNPE, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
Reação da indústria e dos consumidores
O anúncio da nova política, realizado em Brasília, contou com a participação de entidades que representam a indústria e os grandes consumidores de energia, que comemoraram a nova resolução aprovada no CNPE.
A vice-presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrece Energia), Daniela Coutinho, disse esperar que o gás mais barato ajude a competitividade da indústria brasileira.
"É importante que esse gás chegue para a indústria para a gente reverter essa tendência de queda da demanda. E não resta dúvida que essa é uma conta fácil. Mais gás no mercado, um gás mais barato, consequentemente, um aumento da competitividade na indústria", afirmou.
Base legal da nova política
O MME destacou ainda que a nova resolução responde a uma exigência da Lei nº 14.134 de 2021, que determina, em seu artigo 33, medidas para ampliar a oferta de gás natural no Brasil e reduzir "a concentração na oferta de gás natural".
"Assim, o gás natural comercializado pela União será destinado prioritariamente aos segmentos industriais da indústria de base intensivos no uso do insumo, como as indústrias química, petroquímica, de fertilizantes e siderúrgica", disse o ministério, em comunicado à imprensa.
Perguntas Frequentes
Quando começa o leilão de gás da União?
O MME informou que há um leilão previsto para o último bimestre deste ano, com outros programados até 2030 e mesmo depois.
Quem vai operar os leilões?
Os leilões serão conduzidos pela Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural - Pré-Sal Petróleo (PPSA).
Qual a estimativa de redução do preço do gás?
O Grupo de Trabalho do Programa Gás para Empregar (GT-GE) estima que o valor do gás natural caia de US$ 12 para US$ 5 por milhão de BTU.
Quem paga pelo uso do gasoduto da Petrobras?
A ANP ficará responsável por definir o valor pago à Petrobras pelo uso do gasoduto da companhia.
Quais indústrias serão priorizadas?
O gás natural comercializado pela União será destinado prioritariamente a segmentos industriais de base intensivos no uso do insumo, como química, petroquímica, fertilizantes e siderurgia.